segunda-feira, 3 de julho de 2017

POEMA DA GRATIDÃO AMÉLIA RODRIGUES LEGENDADO





Gratidão

Diz o texto bíblico que há tempo para todas as coisas. Afirma que há tempo de plantar e tempo de colher o que se plantou.
Certamente haverá também um tempo em nossas vidas no qual devamos refletir sobre tudo o que vivemos, fizemos ou cremos.
Nunca refletimos tanto sobre essas coisas, como quando estamos diante de alguém que partiu deste para outro plano; que partiu desta para outra dimensão. Que abandonou o seu corpo físico para se apresentar no plano espiritual como seu corpo imperecível... imortal!
Sei que muitas pessoas têm receio de expor suas ideias com medo de não serem aceitas e de reconhecer, ou antes, admitir, que vivemos em um mundo transitório, onde diversas experiências ocorrem para que possamos crescer como seres humanos e principalmente como seres espirituais, e que através delas, podemos e devemos rever conceitos e crenças que objetivem nos aproximar ainda mais de Deus. Respeito, como sempre respeitei, cada uma delas.
Na busca desta compreensão, ouvi certa feita, de um renomado filósofo, quando questionado sobre sua mudança de opinião acerca de um assunto: “mudei porque percebi que estava errado sobre o tema e não seria justo comigo mesmo se continuasse divulgando ou admitindo estar certo quando na verdade sabia estar errado”.
Quando se procura, sinceramente, conhecer os meios e as relações que buscam nos aproximar de Deus e que devem nos conduzir a uma vida significativa na Terra, acredito que mudanças podem e devem ocorrer sempre que atingimos determinados estágios de conhecimento.
Alguns desses estágios, no fundo, fazem muito bem ao nosso ego, mas não ao propósito há que se destinavam: como o fato de nos ligarmos aos nossos antepassados, entendendo que através de nossos atos, vestimentas ou defesas de princípios filosóficos ou religiosos de nossos ancestrais possamos nos ligar mais a eles e à sua “Morashá” (herança espiritual). O que não percebemos é que em muitos casos, nos afastamos do que realmente cremos e quanto mais nos distanciamos, mais difícil se torna o regresso.
Muitas vezes, temos o desejo de retomar a tarefa que abandonamos ou o caminho com o qual mais nos identificamos, mas temos medo de magoar pessoas próximas e queridas. Quando agimos assim, não percebemos que o maior prejudicado ou “magoado” somos nós mesmos. Acabamos vivendo momentos contraditórios onde somos forçados a encontrar milhões de palavras para explicar o que conseguiríamos com algumas dezenas.
Ao fazer um balanço existencial, cheguei à conclusão de que os caminhos percorridos por mim até este momento (Espiritismo, Protestantismo e Judaísmo), definitivamente me reconduziram ao ponto inicial. Fizeram-me entender, que a caminhada foi simplesmente para adquirir conhecimentos que não apenas confirmaram, mas acima de tudo, solidificaram ainda mais as crenças e as convicções nas quais permaneci dedicadamente por quase duas décadas e da qual me afastei por vinte anos, dez deles, mantendo as mesmas convicções iniciais e as escondendo de muitos.
Tempo perdido... Dirão alguns. Não penso assim, mas ainda assim, respeito a opinião de todos que adotarem esse posicionamento diante do exposto.
Se, a partir de agora, meus trabalhos ou textos se direcionarem mais para o Espiritismo, não acreditem tratar-se de engano ou fato isolado, mas do meu retorno, da minha volta ao lar. Desta feita, sem a preocupação de desagradar aos que tanto amo, pois sei que são maduros o suficiente para seguirem seu próprio caminho neste quesito.
Para esse retorno, nada melhor do que agradecer a Deus pelas experiências vividas e neste sentido, um dos mais admiráveis textos que conheço, certamente é o de Amélia Rodrigues, psicografado por Divaldo Pereira Franco. 

Poema da Gratidão

Muito obrigado Senhor, pelo que me deste, pelo que me dás!
Muito obrigado pelo pão, pelo ar, pela paz!
Muito obrigado pela beleza que meus olhos veem no altar da Natureza!
Olhos que fitam o ar, a terra e o mar.
Que acompanha a ave fagueira que corre ligeira pelo céu de anil e se detém na terra verde salpicada de flores em tonalidades mil!

Muito obrigado Senhor, porque eu posso ver o meu amor!
Diante de minha visão, pelos cegos, formulo uma oração. Eu sei que depois dessa lida, na outra vida, eles também enxergarão!
Obrigado pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro, as lágrimas que choram os olhos do mundo inteiro. Diante de minha capacidade de ouvir, pelos surdos eu Te quero pedir, eu sei que depois desta dor, no Teu reino de amor, eles também ouvirão!

Muito obrigado Senhor, pela minha voz!
Mas também pela voz que canta, que ensina, que alfabetiza, que canta uma canção e Teu nome profere com sentida emoção!
Diante da minha melodia quero Te rogar, pelos que sofrem de afazia, pelos que não cantam de noite e não falam de dia. Eu sei que depois desta dor, no Teu Reino de amor, eles também cantarão!

Muito obrigado Senhor, pelas minhas mãos!
Mas também pelas mãos que oram, que semeiam, que agasalham.
Mãos de amor, mãos de caridade, de solidariedade.
Mãos que apertam mãos. Mãos de poesia, de cirurgia, de sinfonia, de psicografias...
Mãos que acalentam a velhice, a dor e o desamor!
Mãos que acolhem ao seio o corpo de um filho alheio, sem receio.

Pelos meus pés, que me levam a andar sem reclamar.
Muito obrigado Senhor, porque posso bailar!
Olho para a Terra e vejo amputados, marcados, desesperados, paralisados...
Eu posso andar!!!
Oro por eles! Eu sei que depois dessa expiação, na outra reencarnação,
Eles também bailarão.

Muito obrigado Senhor, pelo meu lar!
É tão maravilhoso ter um lar... Não importa se este lar é uma mansão, um bangalô, uma favela, seja lá o que for!
O importante é que dentro dele exista amor!
O amor de pai, de mãe, de marido e esposa, de filho, de irmão...
De alguém que lhe estenda a mão, mesmo que seja o amor de um cão, pois é tão triste viver na solidão!
Mas se não tiver ninguém para amar, um teto para me acolher, uma cama para me deitar... Mesmo assim, não reclamarei, nem blasfemarei.
Simplesmente direi:
Obrigado Senhor, porque nasci.
Obrigado Senhor, porque creio em Ti!
Pelo Teu amor, obrigado Senhor!


Mensagem do Espírito Amélia Rodrigues psicografada por Divaldo Pereira Franco em 21/11/1962.