sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Religião: União ou divisão?


Religião: União ou divisão


Se você é brasileiro ou mora no Brasil, já ouviu o velho adágio popular que diz: Futebol e Religião não se discute!
Com certeza você já ouviu essa frase e muitas vezes a pronunciou para “acalmar” os ânimos daqueles que estavam “discutindo” sobre a melhor e a mais correta forma de servir a Deus ou mesmo para se vangloriar por “conseguir” demonstrar ao seu interlocutor os motivos que o levam a torcer para determinado clube de futebol ou a pertencer a um determinado grupo religioso.
Realmente, se olharmos para o lado da disputa, seremos forçados a concordar que “futebol e religião” não se discute, pois cada um tem sempre na ponta da língua a resposta que acredita por fim à disputa, mas o que vemos sempre é que ao se pronunciar este ditado a conversa praticamente acaba, num misto de indignação e insatisfação. Indignação, porque você não consegue entender como alguém pode ser tão “mal educado” a ponto de colocar um ponto final em um tema tão importante como falar acerca de Deus; e insatisfação, porque você estava apenas começando a conversa quando foi tão “abruptamente” interrompido, exatamente no momento em que você conseguiria “provar” que você e não seu interlocutor é quem estava com a razão.
Se você é daqueles que gostam de uma “boa briga” vai demorar um bom tempo para digerir toda aquela situação. Seu estômago e cabeça ficarão fervilhando, aguardando apenas o momento exato para dar o troco e com isso “aliviar” o mal estar causado por aquele que você considerava tanto, ao ponto de ter resolvido abrir seu coração para expor, “sem reservas”, tudo o que pensa.
Mesmo que você nunca tenha sentido na própria pele essa situação, com certeza conhece pessoas que passaram por isso. Talvez você mesmo, pelo fato de ter participado de algumas dessas conversas apenas como ouvinte tenha decidido fazer desse ditado uma regra áurea para sua vida.
Vamos tentar entender o porquê desta situação tão desagradável.
A palavra portuguesa religião, vem do latim “religare”, que significa “religar”, “atar”.
Teólogos a veem como a expressão da “religação” do homem a Deus, mas ela pode estar associada a diversos temas que nada têm a ver com questões Teológicas, mas queremos nos ater a esse aspecto porque é sobre ele que pesa toda a força desse ditado.
Se perguntarmos a uma pessoa se ela se “ofenderia” ou se sentiria “traída” se alguém muito próximo a ela decidisse por vários motivos mudar de religião, ela certamente dirá que não e que cada um tem o direito constitucional de crer livremente no que ou em quem bem entender. Acrescentará ainda que, “de forma alguma”, seu relacionamento com a pessoa que abandonou a antiga fé será alterado.
Essa atitude seria a mais correta, mas será que isso de fato acontece?
Infelizmente não. A maioria das pessoas não pensa nem age assim. Na maioria dos casos a amizade não continua a mesma, principalmente quando a pessoa que “mudou” de religião passa a crer em valores e manifestações espirituais totalmente opostos à sua antiga fé. Fé que seus “amigos” ainda mantêm.
Você deve estar pensando que isso está ficando um pouco complicado de entender não é? De certa forma, você tem razão: é muito complicado entender quando dizemos algo sem pensar ou dizemos apenas para seguir a opinião da maioria, ou ainda, dizemos que aceitamos apenas para dizer que somos diferentes da maioria que certamente não aceitaria.
Desculpe, mas qualquer das respostas dadas acima é destituída da verdade e quando essa situação ocorrer em sua vida, talvez você se sinta predisposto a agir como a maioria: repudiará a pessoa que “abandonou” a fé familiar que você tanto “presa”.
Você se sentiu ofendido com essa afirmação? Por favor, não se ofenda, pois estamos apenas analisando o comportamento da maioria das pessoas não apenas no Brasil, mas praticamente em todo o Planeta.
Alguns grupos religiosos chegam ao ponto de matar o “herege” que abandonou suas fileiras. Outros mais extremistas preferem acabar com toda a família, para que o “maldito” exemplo deixado pelo “herege” nunca mais seja seguido.
Você duvida do que estou falando?  Acha que estou sendo radical? Não duvide; isso de fato acontece em diversos grupos religiosos espalhados pelo mundo e como nosso propósito não é discutir se essa ou aquela religião é a correta não vamos mencionar nenhuma delas, não apenas por uma questão de ética, mas porque entendemos que todo justo terá lugar no “mundo vindouro” e para que uma pessoa seja considerada “justa” diante dos homens e de Deus, não precisará necessariamente estar vinculada à religião predominante, pois Deus criou a todos com as mesmas possibilidades e ama a todos indistintamente. Você não concorda com isso? Tudo bem, não se preocupe, podemos continuar amigos, independentemente das opiniões que tenhamos em relação a essa e tantas outras questões...
Conheço uma pessoa que, ao longo da vida, se preocupou em ajudar as pessoas em todos os sentidos: materiais, pessoais e espirituais. Seus amigos e familiares a tinham na cota de uma pessoa altamente culta, espiritualizada e seu desprendimento pelas coisas materiais era até mesmo questionado em determinadas situações, pois embora nunca tenha deixado sua família desamparada, concedendo-lhe sustento material, afetivo e espiritual, ainda assim diziam que ele se preocupava demais com as pessoas de fora. Na verdade “essas pessoas de fora” eram órfãos, idosos instalados em asilos com precárias condições de higiene e saúde, famílias desamparadas que não viam perspectivas de futuro se não fossem ajudadas e orientadas por ele e seus amigos.
Lembro-me de que em certa época esse amigo ficou desempregado por quatro meses e apesar dos “apelos” e “justificativas” dos amigos dizendo que ele poderia se beneficiar dos donativos que eram destinados e depositados na Entidade que ele havia criado para ajudar aquelas pessoas, ele nunca se beneficiou sequer de “um grão de arroz” e dizia que Deus haveria de dar-lhe condições para conseguir um novo emprego e que aquelas pessoas dependiam exclusivamente da ajuda que conseguia através de doações que ele mesmo buscava e cobrava de seus patrocinadores.
Durante muitos anos esse amigo serviu de ícone para tantos que desejavam ser como eles o rotulavam: “espiritual, desprendido de coisas materiais e que pensava em primeiro lugar em manter a sua família e em segundo lugar ajudar ao seu próximo como Deus espera de todos nós. Dizia que isso com certeza era a sua missão na Terra”. Era isso que todos pensavam a seu respeito, apesar dele nunca ter concordado e sempre dizer que era apenas um instrumento Divino para ajudar aquelas pessoas e que cada um de nós poderia não apenas ser igual a ele, mas superior a partir do momento que buscassem se colocar no lugar dos que tanto necessitavam. Dizia que “se não se dispusesse a ajudar, Deus levantaria outro num piscar de olhos”.
Sempre questionador e estudioso das questões Divinas, em determinado momento de sua vida, procurando entender os motivos de não ser capaz de compreender a Teologia que lhe fora ensinada até então, buscou em suas raízes ancestrais a resposta para essa “insatisfação” e chegou à conclusão de que o problema não estava no fato de querer ajudar seu próximo como tinha feito até então, mas na forma de entender Deus, de saber como Ele de fato é, sem as fantasias Teológicas que ouvirá até então. De posse desse conhecimento e com o coração puro e entregue ao Criador decidiu que a Ele se entregaria e serviria em um novo contexto Teológico.
Quando comentou com parentes, amigos e líderes eclesiásticos constituídos, todos foram unânimes em afirmar que ele enlouquecera. Que não era crível que alguém com uma formação Teológica Ortodoxa como ele tivera, pudesse concluir que tudo que aprendera até então havia sido insuficiente para confirmar a fé familiar e deixá-lo em paz em seu relacionamento com o Criador.
Ele amável e educadamente confirmou que seus estudos o levaram a crer que tudo que aprendera até então era falso, fruto da imaginação humana e que o corpo Teológico/Doutrinário que recebera por tantos anos não passava de ilusão dos que ainda continuavam nele, mas tranquilizou seus amigos (opositores na verdade) dizendo que não tinha nenhum propósito ou desejo de criar um cisma entre os amigos da antiga fé ou de sua família, que desejava que todos fossem felizes e servissem a Deus da maneira que achassem melhor e que de forma alguma tentaria fazer prosélitos.
Isso em nada adiantou. Seus familiares passaram a tratá-lo de forma diferente. Se em determinados momentos não eram agressivos, debochados e sarcásticos em suas críticas, eram no mínimo indiferentes em relação à sua presença e entreolhando-se comentavam à miúda, sua nova maneira de se vestir, de pensar e de falar.
No começo ele entendeu que poderia contornar essa situação, mostrando que ainda era o mesmo e que apenas não cria em Deus da mesma maneira que antes, mas isso em nada o ajudou no difícil impasse. Embora ainda viva com sua esposa, na mesma casa, apesar de dormirem em quartos separados, seu casamento acabou e o que ficou de tantos anos de convivência foi apenas a presença dos netos tão queridos, pois uma de suas filhas que ele tanto ama, o trata com tamanha indiferença que muitas vezes o levou a questionar se ela realmente o amava como ele a ama.
Sua situação hoje em relação à família é a de quem se sente um intruso em sua própria casa, mas ele segue firme, na certeza de que Deus haverá de lhe dar descanso e sua esperança é de que seus netos no futuro, quando crescerem, embora não concordem com sua maneira de buscar a Deus, pelo menos a respeitem e reconheçam que ao longo de suas vidas receberam apenas amor de alguém que o restante da família tanto desprezava. Ele está cada vez mais convicto de suas posições Teológicas e continua orando ao Eterno, não para que ele “converta” sua família, mas para que todos o vejam apenas como membro dela e que respeitem sua maneira de pensar e crer.
Querido leitor, essa situação aparece com mais frequência do que podemos imaginar. Vivendo em uma sociedade que deseja impor suas “convicções” e “certezas” a todo custo, independentemente se elas irão ou não ferir outras pessoas e deixar sequelas por muitas gerações, precisamos dar um basta nessa atrocidade social que deseja impor aos demais aquilo que pensamos e acreditamos como sendo a única” posição confiável.
Deus criou todas as pessoas com as mesmas condições e possibilidades para se relacionarem com Ele da melhor maneira possível e não estabeleceu que esta ou aquela forma de credo religioso é a correta, mas que todos nós deveríamos colocá-LO em primeiro lugar em nossas vidas e que em seguida deveríamos olhar e cuidar de nosso próximo porque ele também havia sido criado e é amado por Ele.
Está mais do que na hora de revermos nossos conceitos de fé e entender que a religião deve ser em primeiro lugar um elo que une ou “religa” a criatura ao seu Criador, mas que esse relacionamento espiritual deve ser promovido em quanto ainda estivermos vivos e involuntariamente passa pelo nosso comportamento e relacionamento com o nosso próximo.
O que mencionei acima não é uma “estória” para demonstrar a indiferença e o confronto pelos quais muitos passam, mas é a história de uma vida dedicada a servir ao Criador e ao próximo que não consegue muitas vezes conviver em paz e harmonia com aqueles há quem tanto ama e a quem Deus lhe confiou.
Pense em tudo que dissemos e analise se seu comportamento não é semelhante ao dos que isolam, denigrem ou até mesmo tornam insustentável a vida de alguém próximo que decidiu após analises Teológicas seguir uma fé distinta da sua.

Deus não pertence a este ou àquele grupo em particular, mas rege igualmente o Universo e tudo que criou e Seus “ouvidos” estão atentos ao clamor de todos aqueles que O busquem com sinceridade no coração e firme desejo de cumprir a Sua vontade.


Ben Baruch

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Nisto creio!



Nisto creio!

Às vezes somos colocados em um meio onde temos que escolher entre demonstrar publicamente nossa forma de pensamento e convicção em relação ao mundo espiritual ou manter a comunhão entre os que pensam de forma diferente, principalmente no seio doméstico, e que, se fossem confrontados em sua fé, isso não resultaria em nenhum benefício imediato, podendo até mesmo ocasionar uma ruptura familiar.
Pouco importa o nome pelo qual alguém se dirige ao público geral; exemplo disso são escritores que se utilizam de pseudônimos para expressar o que sentem, a fim de que o conceito que nutrem junto ao meio acadêmico não influencie na análise dos que leem seus textos, objeto de suas novas pesquisas. No meu humilde entendimento, creio que muito mais importante que o nome ou título do autor, seja o conteúdo da mensagem que este transmite, se estiver firmada em conceitos espirituais que não se confrontem com os ensinamentos que Deus legou, não somente ao povo judeu, mas a toda a Humanidade e que levem seus leitores a promoverem a paz e a distribuírem amor entre seus semelhantes, então a sua mensagem merece atenção e respeito.
Creio que cada um de nós nasce para cumprir uma missão divina e pessoal neste mundo.
Divina, porque fomos criados para nos relacionarmos com Deus e para que essa aproximação se efetive, necessitamos cada vez mais nos aperfeiçoar espiritualmente, através da nossa melhoria pessoal, conseguido através da vivência harmoniosa em nosso dia a dia.
Pessoal, porque necessitando reparar os erros que cometemos, temos a oportunidade, concedida por um Deus amoroso, de nos arrepender e com isso cumprir nossa divina missão: nos aproximarmos dEle.
Esse tem sido nosso propósito: promover a paz e colaborar na construção de um mundo melhor, rompendo assim as paredes de separação que existem entre irmãos que professam diferentes formas de pensamento religioso.
Pode ser que você, assim como eu, também enfrente situação parecida entre seus familiares e amigos. Não esmoreça, nem se entregue ao abatimento que não leva a lugar algum, mas apenas, nos distancia ainda mais do alvo proposto. Nossa vida não consiste nesses poucos anos que passamos na Terra e também não somos perfeitos para que nos sintamos portadores exclusivos da verdade.
Somos todos aprendizes da vida, carentes das bênçãos Divina.
Muitas vezes as lutas e as dificuldades encontradas no dia a dia nos conduzem a estados lastimosos e depressivos, e invariavelmente acabamos murmurando por não estarmos conseguindo superar as provas pelas quais estamos passando.
Quando isso acontecer, busque o consolo e o reconforto em Deus e siga em frente, sem esmorecer.
Tomemos o exemplo de homens e mulheres que, mesmo diante da indiferença e do menosprezo dos que os acusaram injustamente, encontraram ocasião de agradecer a Deus, cumprindo assim o destino e a missão a que se propuseram: Mostrar aos homens que, apesar das evidências contrárias, há sim condições de transformar o mundo para melhor e que somente o amor verdadeiro pode impedir o fluxo do ódio e da indiferença entre os homens.
Mesmo que pareça que tudo esteja conspirando para o nosso fracasso, isso nunca acontecera se confiarmos a Deus o nosso socorro, através da oração e da certeza de que Ele nos atenderá.

A Divina providência nunca nos desampara.

(בן  ברוך) Ben Baruch