terça-feira, 5 de março de 2013

Ninguém está isento da cair.


Ninguém está isento da cair.

Atualmente presenciamos um fato interessante: Uma grande parcela daqueles que se dizem homens de Deus e que se mostram infalíveis diante de seus irmãos – que poderíamos tranquilamente chamá-los de “súditos” em razão da enorme submissão que demonstram diante dos mesmos – são idolatrados e colocados acima de qualquer suspeita ou repreensão. Para seus seguidores, são os escolhidos do Deus; homens que têm a visão que “verdadeiramente” vem do trono de Deus e neles não se pode ver nenhum tipo de erro ou deslize.
Apregoam esses “semideuses”, que pelo fato de sermos “filhos do Rei do Universo” não podemos ser derrotados em nenhuma de nossas empreitadas e que esta condição de “filho” nos outorga poderes para superar toda e qualquer adversidade. Certamente conseguem vencer algumas batalhas, mas perdem a maior de todas: A batalha contra o orgulho e a satisfação de estarem alimentando não somente o próprio ego, mas também o ego daqueles que os seguem, que ao final, os conduzirão à derrota sem o perceberem.
É comum no começo de nossa caminhada com Deus buscarmos intensamente viver na Sua Presença e isso faz com que estejamos muitas vezes em evidência. Para alguns, compromissados realmente com Deus, isso é uma consequência natural de seu crescimento espiritual, mas para outros, que estão em busca de fama, é a possibilidade de virar uma “estrela global”, cujos holofotes sempre estarão dirigidos à sua pessoa.
Quando agimos assim, estamos plantando, sem perceber, a semente da vaidade em nosso coração. Começamos a nos engrandecer e esquecemos que ao Eterno é que devemos dar toda a honra e que tudo aquilo que fizermos ou dissermos deverá convergir para engrandecê-Lo e não a nós mesmos.
O Livro de Jó no capítulo 15, versículo 31 nos ensina que não devemos confiar na vaidade, pois ela tem o poder de nos enganar e no final ela será a nossa recompensa. 
O primeiro sintoma que evidencia o nosso afastamento da presença de Deus é o de achar que somos quem na verdade não somos. Achar que somos senhores da situação; que tudo está debaixo do nosso controle; que nada poderá escapar ao nosso “aguçado” senso de organização e planejamento, quando na verdade somos apenas instrumentos da ação Divina e que se não fosse a direção dEle em nossas vidas tudo ruiria num piscar de olhos.
Conquanto o Rei Josafá fosse um homem segundo o coração de Deus e procurasse fazer a Sua vontade na maior parte de sua vida, a partir do capítulo 18 de II Crônicas encontramos alguém muito diferente, sujeito aos mesmos erros e acertos que qualquer homem comum.
Ele era um homem segundo o coração de Deus? Sim era, pois procurou de todas as formas fazer com que o povo buscasse a Deus e dEle não se desviasse.
E por ser um homem segundo o coração de Deus estava isento de errar? Não, de modo algum.
Acompanhando a vida de Josafá do capítulo 18 ao capítulo 20 do livro de II Crônicas, podemos tirar muitas lições para nossas vidas. A Bíblia, que cremos ser a Palavra de Deus aos homens é sempre atual e os registros ali narrados devem servir de exemplo para as nossas vidas em qualquer época ou situação.
De maneira alguma as situações descritas na Palavra de Deus estão desconectadas de nossos dias. Elas estarão sempre ali, esperando que as busquemos e delas extraiamos o melhor aprendizado possível.
Não somos marionetes nas mãos de um ser que deseja brincar com nossos sentimentos como creem alguns. Somos seres criados à imagem e semelhança de um Deus que está sempre pronto a nos esclarecer, a nos revelar as passagens que buscamos aprender na Sua Palavra.
Podemos extrair boas e más lições ao analisarmos a vida de Josafá. Muitas vezes cometemos erros até aprender, assim como o fazem as crianças, que após o seu nascimento, vão se adaptando passo a passo com o novo mundo. Tudo é novidade para elas, e de experimento em experimento vão se desenvolvendo até chegarem à idade adulta.
Aprender errando pode parecer natural e isso acontece frequentemente em nossas vidas, mas entendemos que isso não deva servir de regra, como se fosse uma necessidade aprender a partir de nossos próprios enganos, sofrimentos e dores. Entendemos que as experiências são proveitosas e têm seu lugar em nosso aprendizado na busca de um crescimento forte e sadio, mas podemos também aprender fazendo uma observação sobre o comportamento e os erros cometidos por outras pessoas.
Se observarmos que determinada pessoa passou ou está passando por uma situação adversa que está lhe causando dor e sofrimento, e percebermos a possibilidade de cairmos no mesmo erro, seria inteligente trilharmos o mesmo caminho? Claro que não! Qualquer pessoa sensata procuraria rever seus planos e evitaria passar pelas mesmas coisas que está presenciando, porque saberia que se procurasse andar pelos mesmos caminhos eles certamente lhe causariam dor e sofrimento também.
Existem pessoas que se alegram com o próprio sofrimento, como é o caso dos masoquistas que não dispensam um pouco de dor para se sentirem realizados.
Quem age assim pode estar debaixo do governo de Deus? Certamente não. O desejo de Deus é o de que todos vivam em paz e desfrutem com alegria as dádivas que concede a todos que O buscam.
Você não é obrigado a se drogar para saber como um dependente químico se sente, quais são os efeitos que a droga produz em seu organismo, o êxtase provocado durante as primeiras doses e a angústia que certamente virá com a necessidade de mais droga.
Se você que está lendo esse texto, estiver de alguma forma se identificando com tudo falamos e ainda não teve um encontro com real com Deus, eu quero lhe dizer que você não precisa passar por todo esse sofrimento para ter um encontro com Ele e ver a sua vida ser alterada para melhor. Basta que você se renda à evidência de que está cometendo erros e que precisa transformar sua vida e O busque com sinceridade. É apenas isso que Ele espera de nós quando O buscamos: Sinceridade!
Você há de concordar que é melhor aprender apenas observando os erros dos outros, do que sentir na própria pele algumas daquelas experiências.
O fato de aprendermos com os erros cometidos por outras pessoas não quer dizer que devamos nos alegrar ao ver alguém sofrer por estar seguindo por um caminho equivocado. De maneira alguma. Devemos nos alegrar porque através da experiência daquela pessoa, Deus nos ensina que podemos evitar aquele caminho e impedir que as suas nefastas consequências se manifestem em nossas vidas.
É certo também que não podemos passar a vida toda examinando as experiências alheias como se fossem o melhor modelo de aprendizado. Temos que viver nossas próprias experiências, mas podemos evitar muitas através da observação que delas fazemos.
Se fossemos pensar que deveríamos ficar somente observando os erros e acertos vividos por outras pessoas, bastaria ficarmos diante de um aparelho de TV assistindo a esse festival de “experiências” que ali são apresentadas. Muitas, na verdade, irreais, apenas produto da imaginação de seus autores, simplesmente fazem parte de uma obra de ficção e na realidade nunca foram vividas por quem quer que seja.
O que estamos assistindo hoje nos canais de Televisão e muitos deles ditos como se fossem de Deus é um espetáculo horrendo de baixarias sem fim. Ao invés de cumprirem seus papéis de veículos de comunicação que deveriam edificar as pessoas fazendo com que vivessem bem e se relacionassem melhor umas com as outras, independente de crenças ou diferenças socioeconômicas, estão fazendo com que aqueles que assistem à sua programação, ao final do dia acabem deprimidos, tristes e amedrontados, quando deveriam sentir-se felizes por estarem diante de um veículo que deveria proporcionar no mínimo, “entretenimento”.
É um festival de programas grosseiros e cenas de puro mau gosto, quando não de pura sensualidade. E o pior de tudo: estamos deixando que isso entre em nossos lares e penetre em nossos corações através de nossos olhos.
Talvez um dos exemplos mais claros de que podemos ser acometidos desse mal, ou seja, de acabar pecando por causa de uma tentação que teve inicio em algo que vimos, seja o que aconteceu entre o rei Davi e Bate-Seba, mulher de Urias.
No Capítulo 11 de 2 Samuel, vemos que o rei Davi enviou a Joabe com seu exército para combater contra os Amonitas e cercarem a cidade de Rabá, mas ao invés de acompanhar seu exército, permaneceu em Jerusalém.
Em tempos de guerra o normal seria Davi ter ido à frente de seu exército, como o fizera tantas vezes, mas preferiu permanecer no palácio real enquanto seus homens lutavam por ele.
Davi sempre buscava o conselho de Deus antes de unir-se a seus homens para as batalhas e isso lhe conferia vitórias sobre seus inimigos, mas dessa vez, preferiu ficar na inatividade, seguindo seu próprio coração.
Talvez já estivesse cansado de tantas lutas. Com certeza tinha visto muita coisa nos campos de batalha e muito embora não as tivessem amedrontado, podiam ter feito com que não se sentisse mais tão útil ao lado de seus homens, afinal já não era tão jovem assim...
Pode ser também que seus homens preferissem preservá-lo, já que o reino havia se tornado poderoso e seria muito perigoso que o Rei fosse lutar com seu exército...
Fato é que Davi ficou no conforto do palácio e, como não devia ter lá muita coisa para fazer, resolveu dar um passeio no terraço da casa real, e eis que, olhando para uma das edificações que ficavam abaixo do piso do palácio, pôde vislumbrar uma mulher que ele considerou “mui formosa à vista”
Ela devia de fato ser “mui formosa” e Davi, como rei, poderia ter as mulheres que quisesse, menos aquela, pois era casada com um heteu chamado Urias, que era um servo fiel a Davi, e que estava disposto a morrer se fosse necessário para salvar a vida do rei.
Davi não se deteve em seu desejo: no começo achou que a mulher era “mui formosa” e depois arquitetou um plano para possuí-la enquanto seu marido estivesse no campo de batalha. E da maneira como planejou, assim o fez.
Depois de um tempo, ela veio a Davi dizendo estar grávida e com certeza seu marido Urias saberia que o filho não era seu, pois estava lutando há muito tempo e nem se quer vinha para casa.
Como ainda estava no início de sua gestação, Davi procurou de todas as maneiras fazer com que Urias fosse para sua casa, para simular que o filho fosse dele e que sua mulher não o havia traído. Mas a fidelidade desse homem para com Davi era tão grande que ele se recusou a ficar com sua mulher enquanto os homens estivessem lutando para proteger a cidade e a vida de seu rei.
Davi então pratica um ato pior que os anteriores: faz com que Joabe, seu comandante em chefe, coloque Urias na linha de frente do pelotão para que acabasse ferido e morto. E assim aconteceu: Urias acabou morrendo no campo de batalha, protegendo aquele que estava destruindo seu lar, sua reputação e sua vida.
Um adultério, muitas tramas ardilosas, inúmeras mentiras e, para culminar, um assassinato. Aquele homem que dedicara sua vida para proteger o rei, entendendo que com a sua proteção tivesse também sua casa e sua esposa protegidas, acabou encontrando a morte, indiretamente, pelas mãos de quem mais queria proteger: o rei Davi.
Urias morreu e Davi achou que tudo havia acabado e que ele e Bate-Seba poderiam viver felizes para sempre.
Mas não foi isso o que ocorreu. O filho que ela teve veio a falecer e Davi foi advertido pelo profeta Natã de que o ato impensado que cometera faria com que a espada nunca mais se apartasse de sua casa e foi isso que acabou acontecendo.
Se Davi não se entregasse às paixões e aos desejos pecaminosos, que começaram quando olhou para aquela mulher, muitas coisas ruins poderiam ter sido evitadas no seio de sua família.
Você pode dizer “que isso aconteceu há muito tempo e que hoje em dia as coisas são diferentes, que vivemos em um mundo com maiores liberdades e que sabemos dosar bem tudo aquilo que fazemos e que não seria um simples olhar que nos faria pecar.”
Você compartilha dessa opinião? Será que você realmente pensa assim? Se pensa e acredita que não devemos levar tão “a ferro e a fogo” alguns ensinamentos bíblicos, tome cuidado para não cair nas armadilhas das tentações, porque elas não vão “desgrudar” de você e vão esperar uma pequena oportunidade que seja para lhe fazer cair.
As novidades tecnológicas trouxeram mais conforto aos homens, mas também fizeram com que se distanciassem cada vez mais de Deus.
Quando “navegamos” pela Internet, nossos olhos são alvejados por milhões de imagens que ficam gravadas em nossa retina e muitas delas descem ao nosso coração e fazem com que tenhamos pensamentos que não teríamos se não tivéssemos acesso a tais informações, elas não nos bombardeariam com toda essa violência.
São cenas de violência, de sexo, de textos os mais levianos possíveis que só nos damos conta, muitas vezes do seu conteúdo, quando estamos no meio da leitura, mas aquilo que lemos já ficou gravado em nossa mente e mesmo que não terminemos a leitura, nossa capacidade intelectual fará com que deduzamos o que faltava.
Quantas pessoas ficam horas e horas à frente de uma tela de computador acessando as mais diversas informações e não se cansam, mas não conseguem permanecer nem 15 minutos em oração ou na leitura da Palavra de Deus.
Novamente citamos o texto de Jó 15.31: “Não confie, pois, na vaidade, enganando-se a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa.”

Pense nisso, todos estamos sujeitos ao erro e à queda, mas também temos a oportunidade, o livre-arbítrio, para escolher o caminho pelo qual desejamos andar. Escolhamos o melhor caminho: O da comunhão com Deus, que nos torna felizes e realizados sempre!
Muita paz a todos!
Ben Baruch