segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Conhecendo a Deus

Conhecendo a Deus

Ao longo dos séculos temos visto que o coração do homem, apesar de toda a tecnologia e conforto de que dispõe, permanece o mesmo: cheio de ódio, sentimentos de vingança e interesses pessoais. Ele não consegue encontrar nem um pequeno espaço dentro dele para que Deus possa habitá-lo.
Quando crianças, somos educados e orientados para sermos pessoas importantes e bem relacionadas na sociedade.  Somos doutrinados a estudar e adquirir o maior conhecimento possível para sermos bem-sucedidos profissionalmente.
Ouvimos tantos conselhos nesta direção que acabamos perseguindo incansavelmente este alvo sem perceber que muitas vezes acabamos prejudicando pessoas que estejam no meio de nossa caminhada rumo ao sucesso, como se elas fossem obstáculos a serem transpostos e destruídos.
Essa necessidade básica de autoafirmação para alguns se transforma rapidamente em verdadeira obsessão na busca do sucesso e do reconhecimento público.
Nos sentimos muito fortes e consideramos fracos ou fracassados todos aqueles que não conseguiram chegar aonde chegamos e sentenciamos: “a sociedade é assim mesmo; feroz e desumana e por essa razão cada um deve buscar o seu próprio espaço. Quando somos importantes, somos respeitados, quando não alcançamos o sucesso esperado somos desprezados e não poucas vezes, ridicularizados.” Esse é o pensamento do mundo e da maioria das pessoas que nele vivem.
Inegável e inexoravelmente, a grande maioria das pessoas está em busca de honra e glória humana. Adoram ser bajuladas e paparicadas. Isso as faz sentirem-se vivas e poderosas, em suma: alimenta o ego e faz com que se sintam importantes, desejadas e principalmente: invejadas. Sim, invejadas, porque acreditam que todos gostariam de ser como elas. Ledo engano de corações ociosos e mundanos.
A melhor maneira de nos afastarmos desses pensamentos de glorificação pessoal é nos aprofundarmos no conhecimento da Torá.
Através da busca deste conhecimento nos aproximamos cada vez mais do Eterno e passamos a entender realmente que o mais importante nessa vida, não são os bens materiais que adquirimos, mas os bens espirituais que conquistamos através de uma vida reta e integra, compromissada com Deus e compartilhada com nosso próximo.
Para conhecermos e nos aproximarmos de Deus temos que santificar nossos atos e pensamentos. Deus quer se manifestar a nós, por isso devemos procurar ter uma vida de santificação, de amor ao próximo e retidão de coração.
Deus quer se revelar a nós. Quer demonstrar todo o Seu amor e a Sua justiça, mas para que isso aconteça precisamos nos colocar em condição propícia para recebê-los.
Entre tantas coisas que o ser humano necessita para identificar-se com o Eterno, precisamos principalmente:
a) declarar a nossa total dependência a Ele.
Declarar a total dependência de Deus não é apenas uma atitude exterior, nem repetir palavras de autoajuda como se fossem verdades eternas.
Declarar total dependência é descansar em Deus. É saber que apesar das dificuldades que a vida nos apresenta, Ele está no comando da situação e mais dia menos dia a situação adversa se reverterá e poderemos ver que a bênção e a Mão protetora do Eterno nunca se distanciaram de nós. Ele sempre esteve, está e estará presente em nossas vidas.
b) quebrantar o nosso coração.
A Palavra de Deus nos ensina que a um coração quebrantado e contrito Deus não despreza (Salmos 51.17), porque Ele está em busca de corações sinceros e apaixonados pela busca do pleno conhecimento de Deus e não de corações vacilantes que buscam a Sua presença no desejo de obter benefícios exclusivos, principalmente financeiros.
c) amar e perdoar aos nossos irmãos.  
Irmãos aqui não significam apenas os irmãos consanguíneos, mas todos aqueles que, assim como nós, também foram criados pelo Eterno e são amados por Ele, ou seja: a Humanidade. Sim, a Humanidade, que é representada por cada semelhante que compartilhe a nossa existência. Para Ele não existem diversidades raciais, sociais ou linguísticas, existe apenas seres humanos criados à Sua imagem e semelhança que são amados indistintamente por Ele, porque se assim não o fossem Ele seria, Deus nos livre, um Deus infinitamente Bom e Justo. É nesse Deus, infinitamente Justo e Bom que acreditamos e confiamos, “Baruch Shem kevod machuto leolam vaed” (Bendito seja o nome da glória do Seu reino para toda a eternidade).

Diante de tudo o que vimos até aqui, algumas perguntas se fazem necessárias nesse momento:
Temos tido misericórdia para com nosso semelhante? Quando alguém se coloca contra as nossas opiniões ou até mesmo nos prejudica, qual tem sido a nossa posição? Atiramos pedras ou suportamos com paciência?
Quando vemos alguém jogado pelo mundo, temos o desejo de acolhê-lo, falar-lhe acerca do Amor de Deus ou atravessamos para o outro lado da rua a fim de não sermos forçados a mostrar a nossa indiferença?
Existem muitas pessoas clamando pela misericórdia do Eterno para as suas vidas, mas são incapazes de perdoar até mesmo os de sua própria casa.
Qual tem sido o nosso critério de justiça e juízo? Ao sinal da mais leve evidência saímos condenando e executando ou procuramos averiguar o que de fato aconteceu?
Devemos pensar, falar e agir de conformidade com a Vontade Divina contida em Sua Torá.
Rompa os laços que ainda o prendem ao mundo. Você sabe quais são. Declare-os a Deus, entregue-se a Ele. Ele tem planos grandiosos para você, mas nunca esqueça de que toda a glória e a honra pertencem a Ele.

Que o Eterno te abençoe grandemente.
Shalom Aleichem!
Ben Baruch

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Apresentação do Nosso Projeto Ahavat Israel



Estaremos colaborando na divulgação do Projeto Ahavat Israel, através de nossa página pessoal no Facebook e também em nossos blogs "Blog do Ben" e "Nefesh Yehudi" porque acreditamos e confiamos não apenas nas pessoas responsáveis, mas também porque acreditamos que esse projeto é Avodat Hashem (Trabalho para Hashem) e Ele há de fazê-lo prosperar para o bem de nossas crianças. Assistam o vídeo de apresentação e tomem conhecimento. Em breve enviaremos mais informações sobre o Projeto. Para doar acesse: http://www.escolajudaicavirtual.org/doe.html. Shabat Shalom!!

domingo, 18 de agosto de 2013

Jerusalém de Ouro - Yerushalayim Shel Zahav




Yerushalayim Shel Zahav

Avir harim tsalul k'yayin
Vereiyach oranim
Nissah beru'ach ha'arbayim
Im kol pa'amonim.

U'vtardemat ilan va'even
Shvuyah bachalomah
Ha'ir asher badad yoshevet
Uvelibah - chomah.

Chazarnu el borot hamayim
Lashuk velakikar
Shofar koreh behar habayit
Ba'ir ha'atikah.
Uvme'arot asher baselah
Alfei shmashot zorchot
Neshuv nered el Yam Hamelach
B'derech Yericho

Refrão:
Yerushalayim shel zahav
Veshel nechoshet veshel or
Halo lechol shirayich Ani kinor.

.Ach bevo'i hayom lashir lach
Velach likshor k'tarim
Katonti mitse'ir bana'ich
Ume achron ham'shorerim.

Ki shmech tsorev et hasfatayim
Keneshikat saraf
Im eshkachech Yerushalayim
Asher kulah zahav.
Yerushalayim shel zahav
Veshel nechoshet veshel or
Halo lechol shirayich Ani kinor
Halo lechol shirayich ani kinor

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Jerusalém de Ouro

O vento das montanhas, claro como o vinho
E o cheiro dos pinheiros
É levado pela brisa do crepúsculo
Junto com o som dos sinos.

E no sono profundo da árvore e da pedra,
Presa em um sonho,
Está a cidade solitária
E no seu coração - um muro.

Voltamos aos poços de água,
Ao mercado e à praça
O shofar chama no monte do templo
Na cidade velha
E em cavernas nas montanhas
Milhares de sóis brilham
Descemos novamente ao Mar Morto
Pelo caminho de Jericó

Refrão:
Jerusalém de ouro
De bronze e de luz
Por que não ser eu o violino para todas as suas canções ?

Porém hoje venho cantar para ti
E te elogiar
Eu sou o menor dos teus filhos jovens
E um dos últimos poetas

Teu nome queima os lábios
Como o beijo de um serafim
Se eu te esquecer Jerusalém
Que é toda de ouro

Jerusalém de ouro
De bronze e de luz
Por que não ser eu o violino para todas as suas canções ?

Por que não ser eu o violino para todas as suas canções ?

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Melhorando a cada dia


Melhorando a cada dia

Assim como existe um novo amanhecer, também a vida se renova a todo instante convidando-nos a nos tornarmos melhores do que fomos no dia anterior. Se essa regra se aplica à natureza, que apesar dos desmandos e negligência do homem continua existindo e resistindo, o que não dizer em relação à nossa própria vida?
Assim como a natureza, também temos a capacidade de nos modificar e de nos moldar às situações, para delas extrair o melhor. Deus nos deu essa capacidade. Depende apenas de nós mesmos.
Temos essa maravilhosa capacidade de transformar condutas equivocadas em atitudes concretas que nos ajudem a ter uma compreensão melhor da vida, das pessoas e do mundo que nos cerca. É para isso que existe o amanhã.
Alguma coisa aconteceu e tem tirado a sua paz e a sua confiança no Eterno?
Sua emuná (fé) tem estado vacilante e parece não haver luz no fim do túnel?
Você agiu impensadamente e essa atitude gerou prejuízos emocionais e financeiros a ponto de fazer com que pessoas próximas não sintam mais tanto prazer em estar em sua companhia?
Se tudo isso tem acontecido e você fica triste e desesperançado, acreditando que o pior sempre acontece com você e que não há a menor possibilidade de voltar a ser feliz, próspero, e acima te tudo: estar conectado a Deus como antes, saiba que essas adversidades ocorrem a cada ser humano, mas, felizmente, não são eternas.
Cada um, à sua maneira, as enfrenta segundo as suas próprias forças, concepções e modo de vida, e muitos deles preferem superá-las apenas confiando em si mesmos. Pode ser que consigam obter êxito, pois o Eterno nos concedeu a sabedoria e a força necessárias para enfrentar e superar todas as adversidades que nós mesmos criamos. É verdade, embora, como um sistema de “autodefesa” prefiramos responsabilizar outras pessoas pelo que nos aconteceu, a maioria dos problemas e conflitos que surgem em nossas vidas são criados por nós mesmos, Ele (Deus) apenas deixa que eles ocorram para que possamos crescer como seres humanos e que possamos nesses momentos nos aproximar dEle com mais intensidade e principalmente: sinceridade.
Aqui reside a diferença dos que confiam no Eterno e procuram fazer tudo para viver segundo a Sua vontade. Eles confiam plenamente em Deus e sabem que no momento apropriado o problema será resolvido e apesar de se abaterem – o que é natural, visto que somos humanos – eles não se deixam prostrar diante dessas adversidades.
Você não tem conseguido enfrentar os problemas como gostaria porque não se sente forte o suficiente ou acredita que os dias bons nunca mais retornarão á sua vida?
Caro amigo, não se deixe abater pelo que aconteceu. Procure não trazer para o seu dia a dia e na convivência com as pessoas o problema que tanto o angustiou. Ele faz parte do passado, deixe-o lá, para que sirva apenas de aprendizado. Como um exemplo a não ser seguido, para que não ocorra novamente.
O Salmista David disse (Salmos 30:5): “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã.”
Sim, a alegria que o Eterno nos conceda a cada manhã é a oportunidade de recomeçar, de mudar as nossas atitudes equivocadas e buscar uma nova compreensão da vida e de nossa relação com Ele e com o nosso próximo.

Um novo dia é a oportunidade que o Eterno nos concede para alterarmos o curso de nossa história. Somos responsáveis pelas linhas que a compõe.

Muita paz a todos! 

Ben Baruch

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Como lidar com o antissemitismo


            Num voo da NW Airways vindo de Atlanta, Geórgia, uma mulher de meia idade, com boa aparência, sentou-se ao lado de um homem que usava uma kipá . Ela chamou a comissária de bordo para reclamar sobre o assento.

"Qual é o problema, senhora?", perguntou a atendente.

"Você me colocou sentada ao lado de um judeu! Não posso me sentar ao lado desta pessoa nojenta. Encontre-me outra poltrona!"

"Por favor, acalme-se, Madame" – respondeu a comissária. "O voo está lotado hoje, mas vou procurar para ver se encontro algum assento livre na Executiva ou na Primeira Classe."

A mulher lançou um olhar mal-humorado para o homem sentado ao lado (olhar que abrangeu muitos outros passageiros ao redor). Poucos minutos depois, a moça voltou. A mulher não pôde deixar de olhar para as pessoas em volta com um sorriso de satisfação.

A comissária disse então: "Madame, infelizmente, como eu suspeitava, a classe econômica está lotada. Falei com o gerente dos serviços na cabina, e a Executiva também está repleta. No entanto, temos um assento na primeira classe."

Antes que a senhora tivesse uma chance de responder, a comissária continuou: "É bastante fora do comum precisar fazer este tipo de ‘upgrade’, portanto precisei pedir autorização especial do comandante. Porém, devido às circunstâncias, o capitão achou ultrajante que alguém seja forçado a sentar próximo a uma pessoa assim."

E com isso, ela voltou-se para o homem judeu sentado perto da senhora, e disse: "Portanto, senhor, se apanhar seus pertences e me acompanhar, tenho um assento na Primeira Classe para o senhor…"

A esta altura, os passageiros em volta se levantaram e bateram palmas, enquanto o judeu se encaminhava para a frente do avião.

Autor desconhecido – Por e-mail
Fonte: Chabad


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Uma fraude centenária: Os Protocolos dos Sábios de Sião



Apesar de repetidamente desacreditado e de ter sua falsificação comprovada, o livro Os Protocolos dos Sábios de Sião se tornou o documento antissemita mais lido, em todos os tempos.


A mais notória fraude política dos tempos modernos, "obra prima" da literatura racista, tornou-se eficiente ferramenta para o antissemitismo moderno, desde sua criação pela polícia secreta do czar da Rússia, há mais de 100 anos. O pequeno, mas diabólico panfleto, contém minutas de um suposto conclave secreto de líderes mundiais judeus. Composto de 24 capítulos ou protocolos, o livro "descreve" os "planos" traçados na dita reunião, que, supostamente acontecia uma vez a cada 100 anos. O objetivo de tais líderes judeus seria arquitetar a manipulação e o controle do mundo que ocorreria no século seguinte. Acreditam seus seguidores que Os Protocolos contêm a "prova cabal" da existência de uma "conspiração judaica mundial" que teria como propósito "dominar o planeta".

Sobre o texto, Elie Wiesel, Nobel da Paz, foi enfático ao declarar: "Se há um texto que pode produzir o ódio massificado contra os judeus, é este o texto... todo composto por mentiras e difamações". Ao longo de sua nefasta trajetória, Os Protocolos foram usados para justificar a perseguição de judeus na Rússia czarista e no período comunista e continuam em uso, até hoje, pela extrema direita russa. Nas mãos de Hitler, o texto se tornou verdadeira arma mortífera na guerra que travou contra os judeus, a partir da década de 1920. Os Protocolos também fazem parte do embasamento ideológico da extrema-direita americana e europeia, bem como da extrema-esquerda da Europa. E, desde 1921, vêm sendo usados no mundo islâmico, sendo que hoje as cópias desta preciosidade antissemita são impressas e distribuídas gratuitamente. Adotado por todos os inimigos do Estado de Israel, tornou-se a própria "bíblia" dos antissionistas.

A pergunta que deixa perplexos estudiosos e leigos é de que maneira um produto da Rússia czarista, oligárquica e cristã, conseguiu perdurar até hoje e foi adotado entusiasticamente por pessoas das mais diferentes ideologias e crenças religiosas? Uma das razões é o fato de, no texto, não haver qualquer definição de tempo ou contexto nacional e ideológico, podendo ser facilmente "adaptado" a qualquer situação.

O texto dos Protocolos é sempre o mesmo, mas cada uma das milhares de edições produzidas ao longo dos anos vem acompanhada de um prefácio que "explica" como o "plano judaico" está em funcionamento naquele preciso momento. As "ideias" contidas nos Protocolos constituem uma poderosa arma em países ou grupos sociais onde prevalece uma situação de frustrações ou incertezas. É sempre mais fácil acreditar que as dificuldades são decorrentes de um "agente externo invencível" - uma conspiração judaica mundial ou o imperialismo americano - do que encarar a realidade. Apesar de outras obras antissemitas poderem vir a ter maior "embasamento intelectual", foram as imagens conspiratórias dos Protocolos o que conquistou pessoas tão diferentes como o magnata dos automóveis, Henry Ford, membros da Ku-Klux-Klan ou o atual presidente do Irã. O único elo entre os "seguidores" do livro é seu ódio contra os judeus.

Quase inacreditável também é o alcance geográfico de Os Protocolos, que pode ser encontrado nos quatro cantos do mundo, até em lugares onde praticamente não há judeus. Após a 2ª. Guerra Mundial, virou best-seller não só em países islâmicos, mas também no Japão. No Brasil, são inúmeras as publicações. Com o advento da Internet, Os Protocolos passam a ter uma divulgação jamais vista e, desde 1994, circulam livremente na rede mundial versões completas em vários idiomas, sendo indicados como leitura obrigatória em sites de grupos separatistas, nazistas, nacionalistas, do Poder Branco, KKK e até mesmo do MV - Movimento de Valorização da Cultura, do Idioma e das Riquezas do Brasil.

Denunciar os Protocolos como uma mentira deslavada não é novidade; isto tem sido feito ao longo de quase um século, por profissionais idôneos e muito respeitados. Por que, então, a necessidade de expor, mais uma vez, essa fraude centenária? Lamentavelmente, com a proliferação do antissemitismo em diferentes partes do mundo, as "verdades" dos Protocolos servem, uma vez mais, de alimento para fomentar sentimentos antijudaicos.

O primeiro a denunciar o texto, ainda em 1920, logo após sua introdução na Europa Ocidental pela mão de refugiados russos, foi o historiador judeu britânico, Lucien Wolf. No ano seguinte, Philip Grave, jornalista do The Times, denunciou em vários artigos como se forjara aquele embuste. Centenas de outros artigos e livros e atualmente até documentários se seguiram, sempre de respeitados autores, que, no entanto, fracassaram em seu intento de convencer seus seguidores de que o panfleto nada mais era de uma grande fraude.

Incontáveis são as vezes em que Os Protocolos foram derrotados nos tribunais de vários países. Em 1933, a comunidade judaica da Austrália e, no ano seguinte, da Suíça, moveram ações vitoriosas, para proibir a distribuição do execrado livro. No ano de 1993, em Moscou, houve um processo contra o grupo ultranacionalista russo, Pamyat, que alegava ser o texto historicamente legítimo. No Brasil, federações judaicas denunciaram o panfleto e houve sentenças favoráveis pronunciadas nos tribunais estaduais de praticamente todas as cidades onde surgiram seus exemplares, sendo confiscados os estoques dos livros.

Raízes "ideológicas"

As acusações contidas nos Protocolos dos Sábios de Sião não são totalmente novas. Algumas, como o mito de reuniões secretas de rabinos para arquitetar planos para subjugar cristãos, fazem parte da literatura medieval cristã antissemita. Mas, uma fonte de inspiração mais moderna remonta à época da Revolução Francesa, quando, em 1797, o abade Barruel, defensor do Antigo Regime, publicou um trabalho em que afirmava que os revolucionários franceses faziam parte de uma conspiração secreta maçônica, cujo objetivo era tomar o poder. Alegação totalmente sem sentido, pois era a nobreza francesa quem estava profundamente envolvida com a instituição maçônica. No documento inicial, o abade não faz acusação aos judeus, mas, em 1806, ele "enriquece" sua teoria conspirativa lançando e distribuindo uma carta forjada, na qual os judeus eram acusados de fazer parte da conspiração que o autor, anteriormente, atribuíra aos maçons.

No entanto, o antecessor direto dos Protocolos foi uma sátira política, os Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu ou A política de Maquiavel no séc. 19, por um contemporâneo (1864), de autoria do advogado parisiense Maurice Joly. A trama do livro é um complô elaborado no Inferno. O alvo, Napoleão III e seu regime despótico. No texto, os judeus sequer são mencionados...

A sátira de Joly chega à Alemanha em plena efervescência liberal, auge da proliferação das teorias racistas. O livro cai nas mãos de Herman Goedsche, antissemita convicto, agente incitador da polícia secreta prussiana, conhecido por forjar cartas usadas para incriminar líderes democráticos. Escrevendo sob o pseudônimo de Sir John Retcliffe, Goedsche "adapta" a sátira política de Joly de modo a criar uma "fantasia" sobre a existência de uma conspiração judaica; e incluiu tal "conto" em seu romance, Biarritz, publicado em 1868. No capítulo denominado "O Cemitério Judaico em Praga", o autor "narra" um encontro secreto de rabinos, à meia-noite, quando eram avaliadas as ações realizadas nos últimos cem anos, para dominar o mundo, e eram planejadas as do século seguinte.

O conto de Goedsche encontrou terreno fértil na Rússia czarista, onde foi traduzido pela primeira vez em 1872, reaparecendo em 1891 sob o título de Discursos do Rabino. O texto foi utilizado pela Okhrana, a polícia secreta do Czar Nicolau II, para dar substância às suas posições antissemitas.

A criação dos Protocolos

Após o Caso Dreyfus, em Paris, por volta de 1895, os agentes da Okhrana viram a possibilidade de "adaptar" o texto de Joly. E assim - sem que se saiba ao certo por quem - "criou-se" um panfleto que recebeu o título de Os Protocolos dos Sábios de Sião. O manuscrito foi levado à Rússia e, em 1903, teve sua publicação iniciada, em capítulos, no jornal russo Znamya (A Bandeira).

A versão do texto, que circula até hoje, foi publicada pela primeira vez por Sergei Nilus, em 1905, como adendo de seu livro, The Great within the Small. Naquele mesmo ano, após a Revolução de Outubro, o czar Nicolau II, a contragosto, promulgou a Constituição e criou o Duna, parlamento russo. Ansioso para esvaziar a revolução, o Czar achou por bem culpar nosso povo por todos os males da Rússia. Manda publicar, então, para incitar as massas, panfletos incendiários. Os de distribuição mais ampla foram Os Protocolos, que, segundo a Okhrana, eram a "prova incontestável" das intenções judaicas contra a Rússia.

Foi após a Revolução de 1917 que Os Protocolos adquirem vida própria. Quando a elite russa foge para outros países da Europa, leva consigo o panfleto, apresentado como "prova" de que a Revolução Bolchevique era parte de uma conspiração judaica mundial. Rapidamente, o conteúdo dos Protocolos se difundiu por vários países, tornando-se excelente munição para qualquer governo que desejasse perseguir os judeus. No ano de 1920, são lançadas em vários países (Alemanha, Polônia, França, Inglaterra e Estados Unidos) as primeiras edições não escritas no idioma russo.

Provas da falsificação

Vimos acima que, ao longo dos anos, Os Protocolos foram repetidamente denunciados como fraude. Em agosto de 1921, o jornalista inglês Philip Graves faz uma denúncia pública do embuste, em dois artigos no jornal The Times, de Londres, onde prova que o panfleto difamatório era um plágio da sátira de Joly, Os Diálogos no Inferno. Nos artigos Graves aponta, uma a uma, as "extraordinárias semelhanças" entre os dois textos, publicando, até, uma tabela comparativa dos mesmos, lado a lado; a paráfrase é irrefutável. Até o suposto "plano judaico de dominação mundial" não passa de uma transposição do discurso entre Maquiavel e Napoleão, no original de Joly, e os planos dos dois para os Estados europeus se tornam, nos Protocolos, o "plano judaico para dominar todo o mundo cristão".

Graves aponta, também, as inúmeras versões sobre como o texto teria chegado às mãos de Sergei Nilus. Pela edição russa de 1905, as minutas teriam sido obtidas através de uma mulher que as roubara de "um dos mais influentes líderes da franca maçonaria". Outra versão afirma que são a ata de uma reunião secreta de "iniciados", na França. Na versão de 1917, consta que os "Protocolos" eram notas de um plano apresentado por Theodor Herzl, no Primeiro Congresso Sionista, que teria "deixado vazar" a informação. Uma outra, ainda, que o texto fora lido secretamente no Primeiro Congresso Sionista e que tinha sido encontrado por um amigo de Nilus, na "sede francesa da "Sociedade de Sião" - instituição inexistente!

Quanto às denúncias dos Protocolos contra os judeus, trata-se de acusações que fazem parte do secular arsenal antissemita, facilmente refutadas através de referências bíblicas e talmúdicas.

Uso por diferentes correntes ideológicas

Nos Estados Unidos, onde, como vimos, aterrissaram em 1920, Os Protocolos encontraram em Henry Ford III, capitão da indústria automobilística, fervoroso defensor. O empresário os fez publicar, em capítulos, no Dearborn Independent, jornal de sua propriedade, entre maio e setembro daquele ano. A série foi intitulada "The International Jew: the World's Foremost Problem" (O judeu internacional, principal problema mundial).

No ano seguinte, Herman Bernstein, do New York Herald, publica "A História de uma Mentira: Os Protocolos dos Sábios de Sião", levando pela primeira vez ao público norte-americano a verdade sobre a fraudulência dos Protocolos. Mesmo denunciada aos quatro cantos como falsa, a série foi publicada em livro, que acabou sendo traduzido para mais de doze idiomas. Ford continuou a citar o texto para provar uma suposta "ameaça judaica", até 1927, quando escreve um pedido oficial de desculpas aos judeus americanos por ter publicado Os Protocolos, os quais ele admite serem "falsificações grosseiras".

Em 1921 é a vez dos árabes, na então Palestina e Síria, de usar Os Protocolos para incitar as massas contra os judeus, sugerindo que a criação de um Estado Judeu, na região, era parte da tal "conspiração judaica internacional".

É inegável a influência de Os Protocolos sobre Hitler. O mito da conspiração judaica permeia todo o seu pensamento e pode ser constatado no livro Mein Kampf, em que ele "explica", entre outros, seus planos para livrar o mundo dos judeus e de seus complôs traiçoeiros. Ao assumir o poder, Hitler utilizou inúmeras vezes Os Protocolos para justificar as leis e atos antissemitas, até mesmo o extermínio em massa, como forma de impedir os judeus de exercerem o "domínio" mundial. Uma guerra de propaganda sem fronteiras foi empreendida pelos nazistas para convencer o mundo dos malefícios do judaísmo e os Protocolos foram instrumento fundamental, sendo distribuídos na maioria dos países ocidentais.


No Brasil da Era Vargas, Os Protocolos mereceram atenção especial, ganhando comentários de Gustavo Barroso, ideólogo do integralismo. Foi o aval deste historiador laureado, presidente da Academia Brasileira de Letras, que deu ao famigerado panfleto "o ar de respeitável literatura". Reeditados oficialmente até há pouco tempo, ainda hoje Os Protocolos podem ser encontrados na Internet e em diversas livrarias e feiras de livros.

Nos países islâmicos, como mencionado acima, Os Protocolos também se tornaram, desde 1921, uma ferramenta para disseminação do antissemitismo. Ainda mais intensamente a partir da 2ª. Guerra Mundial e após a criação do Estado de Israel, quando se tornaram um dos principais instrumentos da metódica campanha de propaganda antissionista. Apesar de haver uns poucos intelectuais que, de certa forma, timidamente admitem que Os Protocolos sejam realmente uma impostura, de modo geral o mundo muçulmano acredita nas mentiras contidas no panfleto.

Nos últimos anos, o texto dos Protocolos tem sido usado para produzir, em vários países do Oriente Médio, minisséries de TV. O "plano judaico de dominação mundial", incluindo todo o Oriente Médio, e outras "verdades" contidas no panfleto são o tema central dos enredos. Transmitidas em todo o mundo árabe durante o Ramadã, quando da reunião familiar para a quebra do jejum religioso, essas "verdades" conseguem incendiar os ânimos. Entre essas produções destacamos duas - uma, em 41 capítulos, transmitida pela televisão estatal egípcia, "Cavaleiro sem Cavalo", em 2002; e a outra, uma produção síria em 21 episódios, levada ao ar em 2003 pela rede de televisão a cabo libanesa, Al-Manar.

Em 2002, o panfleto foi disseminado ainda mais por todo Oriente Médio, quando jornais controlados pelos governos do Egito, Síria, Jordânia e Arábia Saudita, em uma ação coordenada, passam a imprimir e distribuir gratuitamente cópias dos Protocolos dos Sábios de Sião. No ano seguinte, a UNESCO denunciou publicamente a exibição de livros sagrados de religiões monoteístas na Biblioteca de Alexandria, no Egito, onde, ao lado de uma Torá estava exposto um exemplar dos famigerados Protocolos. E, enquanto o atual Presidente do Irã anunciava publicamente o seu intento contra Israel, ordenava a edição e distribuição do panfleto; além disso, uma versão inglesa do livro foi exposta, para espanto geral, no estande de seu país, na conceituadíssima Feira Internacional do Livro de Frankfurt.

Nos anos de 2004 os Protocolos são publicados respectivamente em Okinawa, no Japão; no ano seguinte, uma edição na Cidade do México sugere que o Holocausto foi organizado pelos Sábios de Sião em troca da criação do Estado de Israel.

Já transcorreu mais de um século desde que o mundo foi exposto a tão perigosa mentira, que acusa os judeus por todas as ruínas da humanidade - uma acusação de que a nossa existência enquanto Povo seria uma ameaça à paz mundial. Faz quase 100 anos, portanto, que é nosso dever repudiar esta conspiração, expondo-a e a desmascarando, por todos os meios a nosso alcance.

Fonte: Morashá- Edição 64 - abril de 2009


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Por que não existem mais Profetas no conceito judaico?



Amós - Coisas Judaicas

Pergunta:
Por que não existem profetas?

Resposta:
Existiram 48 profetas de Israel ao longo de nossa história. Yehoshua, Pinchás, David, Shmuel, Elyahu, Yoêl, Amós, Ovadya, Yoná, Chavacuc, Nachum, Zecharyá, Mal'achi,Yesha'yáhu, Yirmiyáhu, Yechezkel, foram alguns deles. O Tanach (Pentateuco, Profetas e Escrituras) está repleto de profecias. Assim, as palavras dos profetas continuam nos guiando através do Tanach. Interessante notar que da mesma forma como muitos homens experimentaram a profecia, também houveram profetisas. Em muitos casos, elas atingiram níveis até mais elevados que os homens. Houveram sete profetisas conforme se encontram mencionadas na Torá: Sara, Miriam, Débora (Dvora), Hana, Abigail, Hulda e Esther.

No entanto, hoje em dia não existe mais profetas, pois nosso mundo não se encontra mais em um nível tão elevado. O que existe é a presença de pessoas muito especiais em cada geração que possuem Ruach Hacodesh, isto é, um nível muito elevado de santidade que faz com que possam dar sábios conselhos e prever certas coisas de antemão. Não se tratam de profecias, mas sim da expressão e revelação de seu profundo conhecimento de Torá. São pessoas que estudam constantemente e observam os ensinamentos de D'us, cuidam detalhadamente para não violar uma única lei, tentam ao máximo e constantemente cumprir todo e qualquer mandamento da Torá, vivem livres de qualquer pecado, em pensamento e ação, completamente ligadas em fazer o bem aos outros sem pensar em si próprias, nutrem um amor profundo a D'us com profundo conhecimento de Sua essência, entre outras qualidades, raras de serem encontradas em pessoas. É o conjunto destas características, habilidades e concentração profunda à serviço de D'us que tornam uma pessoa Divinamente inspirada, diferente, no entanto, dos profetas, cujas visões vinham diretamente de D'us ou primeiramente através de um anjo.

Embora muitas pessoas tivessem o dom da profecia, a Torá apenas menciona aqueles que deixaram uma mensagem para todas as gerações. Por esta razão nossos sábios salientam que além de Moshê e Aharon há 48 profetas mencionados na Torá. A profecia durou por 1000 anos em Israel, do tempo do Êxodo do Egito (2448; 1313 AEC) até 40 anos após a construção do Segundo Templo Sagrado (3448; 313 AEC). O espírito da profecia acabou naquele ano quando os últimos profetas, Hagai, Zecharyá (Zacarias) e Mal'achi (Malaquias), todos morreram no mesmo mês. É muito difícil ocorrer profecias quando a Arca Sagrada não se encontra em seu devido lugar no Templo Sagrado. Por este motivo, quando o Templo foi destruído, a profecia tornou-se muito rara.

Há diversos níveis de Inspiração Divina. O mais alto grau está logo abaixo do grau de profecia que somente será restaurado na era de Mashiach, quando a maioria dos judeus retornar à Terra Santa e for construído o Terceiro Templo Sagrado em Jerusalém. Esperamos que seja em breve.


Por Rabino Yitzchak Ginsburgh, traduzido por Maurício Klajnberg
 Written By Jorge Magalhães on 06/08/2013 | 8/06/2013

domingo, 4 de agosto de 2013

O silêncio das palavras


O silêncio das palavras

Frequentemente encontramos pessoas que por terem facilidade para se expressar, acabam falando muito mais do que deveriam. Ufanam-se por dominarem o idioma e criticam os que têm pouca ou nenhuma cultura. Invariavelmente, essas pessoas se sentem as mais importantes do mundo, mesmo quando exprimem suas ideias em terreno desconhecido.
Quando estão diante de situações adversas procuram conduzir o diálogo para terrenos que conhecem, fazendo com que todas as atenções sejam canalizadas nelas, que os holofotes as iluminem e que os presentes possam “usufruir” de toda a capacidade e brilhantismo com que seus conceitos e conhecimentos são expostos. Já dizia tão brilhantemente inspirado o Rei Salomão: “vaidade de vaidades, tudo é vaidade.” (Ec 12.8). Sim, pura vaidade, pois mesmo que essas pessoas possuam a capacidade intelectual que dizem possuir, deveriam espalhá-la de forma construtiva, a fim de que todos pudessem se beneficiar.
Pessoas assim, normalmente falam mais do que deveriam e acabam despertando em seus ouvintes um misto de admiração por um lado e de indiferença por outro, pois monopolizam em torno de si a atenção dos presentes e muitas vezes falam tanto que seus interlocutores simplesmente são forçados a ficarem calados; aquilo que inicialmente deveria ser um diálogo transforma-se em um monólogo cansativo e desagradável.
Existem momentos em que o silêncio é a maior das virtudes e pode nos ajudar muito mais do que a verbalização do que pensamos.
Manejar o silêncio é mais difícil que manejar a palavra. Lembre-se: “Melhor ser senhor de seus pensamentos do que escravo de suas palavras!”
Como nos ensina Salomão:
“Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens; veio contra ela um grande rei, sitiou-a e levantou contra ela grandes baluartes. Encontrou-se nela um homem pobre, porém sábio, que a livrou pela sua sabedoria; contudo, ninguém se lembrou mais daquele pobre. Então, disse eu: melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre é desprezada, e as suas palavras não são ouvidas. As palavras dos sábios, ouvidas em silêncio, valem mais do que os gritos de quem governa entre tolos.” (Ec 9.14-17)

Saber ouvir é tão importante quanto falar. Pense nisso! Ouça com atenção e quando solicitado a dar sua opinião, faça-a de forma clara, para que todos entendam e possam dela se beneficiar.


Muita paz a todos!

Ben Baruch

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pecados em méritos


O rapaz estava de pé na rua apinhada, contemplando a cena. Sua vida na cidade era empolgante – como podia ter vivido na cidade de Berditchev? Oh! Bem, agora, era um homem do mundo – nada era proibido para ele. Entrou à direita e continuou descendo a rua ladeada de árvores, a caminho de seu bar predileto. Ali, poderia ficar com pessoas tão inteligentes e espirituosas quanto ele. Como era bom não ter de viver naquela aldeia empacada nos antigos rituais judaicos.
E assim, seus dias e noites eram passados em discussões políticas e bebida. Pela manhã, frequentava o mesmo café e folheava o jornal diário, procurando algum artigo de interesse que pudesse comentar com seus companheiros. Durante a tarde ele percorria as ruas sempre fascinantes, e à noite, voltava ao café, onde ele e os amigos se encontravam para trocar conceitos elevados e intelectuais.

As mitsvot (mandamentos), tão cuidadosamente ensinadas a ele pelos pais, jamais lhe vinham à mente, tão embevecido estava com os sons e visões da cidade grande. Muitos, se não a maioria, de seus novos conhecidos eram judeus também, e tinham conseguido "escapar" dos estreitos confins das cidades e aldeias como Berditchev. Tinham abandonado os ensinamentos recebidos de seus pais, avós e incontáveis gerações de ancestrais que se apegavam, apesar de todas as dificuldades, à mesma Torá.

Certa manhã, enquanto jazia na cama planejando as atividades daquele dia, foi surpreendido pela senhoria que batia à porta. O que desejaria ela? pensou ele, ao pular da cama para vestir um robe. Ela parecia pouco à vontade ali, e estendeu a mão para entregar-lhe um telegrama.
"De casa" – disse ela. Ao pegá-lo, o rapaz sentiu-se apreensivo. Seus pais jamais enviariam um telegrama se não houvesse um motivo muito sério. Seus piores temores se confirmaram quando leu a mensagem. Através do véu de suas lágrimas, leu repetidas vezes as palavras: "Papai faleceu. Venha para casa. Mamãe."

Ele afundou na cadeira. Papai se fora. Oh, não.

Passou o funeral, e os sete dias de shiv'a terminaram, porém ele continuou junto da mãe viúva, envolto em seu próprio luto cinzento. O mês de Elul chegara, e o sentimento festivo era quase palpável. Ele não sabia por quê, mas por algum motivo, encontrava conforto nos sons e visões familiares da sua velha cidade onde nascera.

O jovem caminhava sem rumo por Berditchev, imerso em pensamentos, quando de repente sentiu uma mão no ombro. Era o Rebe, Rabi Levi Yitschac, famoso pelo grande amor que devotava a seus irmãos judeus.

"Saiba, meu jovem, que estou realmente invejoso de você" – declarou o Rebe, sorrindo.
O rapaz estava incerto sobre o que viria em seguida. Esperou pela próxima frase. Reb Levi Yitschac continuou: "Durante estes dias de arrependimento, todo judeu tem a oportunidade de retornar verdadeiramente a D’us, de transformar seus pecados em méritos."

O jovem riu. "Bem, se for este o caso, o senhor ficará ainda mais invejoso no próximo ano. Pois então terei uma nova pilha de pecados para cuidar!"

"Deixe-me contar uma história a você", disse o Rebe, "certa vez, um proprietário rural estava viajando por sua propriedade quando irrompeu uma terrível tempestade. Ele parou numa estalagem que lhe pertencia, a qual alugava a terceiros, esperando encontrar abrigo dos elementos. Mas quando levou os cavalos até o estábulo, a chuva caía em torrentes através dos buracos no telhado.

"Bem" – pensou ele – "pelo menos na estalagem poderei me enxugar." Mas quando entrou no salão, a situação não era muito melhor. Poças do tamanho de lagos estavam espalhadas pelo chão, e uma umidade desagradável invadia o ambiente.

"O furioso proprietário aproximou-se do estalajadeiro, dizendo: 'Quando aluguei este imóvel a você, tudo estava em perfeitas condições. Por que deixou que se deteriorasse até chegar a esse estado?!'"

"'Excelência' – gaguejou o constrangido estalajadeiro – 'eu sabia que o senhor terminaria vindo aqui, mas não pensei que fosse tão depressa.'"

Com aquilo, Rabi Levi Yitschac virou-se e se afastou, mas sua historieta tinha plantado uma semente na mente do rapaz.

Poucos dias depois de Rosh Hashaná. o jovem caiu doente. A moléstia piorou, e muitos especialistas foram chamados, mas nenhuma cura pôde ser encontrada. Em poucas semanas, ficou evidente para o jovem que seu fim estava se aproximando a passos largos. Ele lembrou-se da história do rabino e foi consumido pelo arrependimento, vendo como tinha desperdiçado sua preciosa vida que agora estava se escoando.

Enviou uma mensagem a Rabi Levi Yitschac, implorando que viesse vê-lo e aconselhá-lo sobre o caminho a seguir, pois sua alma judaica não o deixava em paz. Rabi Levi Yitschac foi imediatamente. Sentou-se ao lado da cama do rapaz dia após dia, instruindo-o e encorajando-o, até que ele chegou ao verdadeiro e completo arrependimento.

Fonte: Chabad
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Ao contrário do rapaz mencionado no texto, não precisamos chegar ao limiar da morte para nos arrepender dos erros cometidos e nos ajustar aos padrões Divinos.
Nossa passagem por este mundo é rápida e efêmera, mas constituída de objetivos nobres e edificantes: nascemos, crescemos e nos instruímos a fim de melhor conhecermos os caminhos traçados pelo Eterno para as nossas vidas. Nosso objetivo maior neste mundo é demonstrar através de nossas palavras, pensamentos e atos o quanto estamos próximos ou distantes dEle. Caminhar com Deus pode ser uma tarefa árdua, pesada e cansativa para alguns, mas suave e prazerosa para outros.
Que o Eterno nos ajude a escolher o caminho que nos aproxime de Seu infinito amor e nos traga a paz real que somente nEle encontramos.


Ben Baruch