segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Estejamos em paz


Todos nós – a menos que sejamos masoquistas – ansiamos por adquirir aquela paz interior que acalme os nossos corações e nos faça olhar para a vida com mais alegria e prazer.
Até mesmo aqueles que detêm o poder em suas mãos a buscam, mas em muitos casos tiranizam seus oponentes, alegando que assim agem em favor do “bem” comum, mas na verdade, suas ações não passam de uma “máscara” que objetivam “legitimar” suas nefastas atitudes e desejos inferiores.
Esse “tipo de paz”, tão comum em todas as épocas, geralmente imposta pela violência é superficial, ilusória e não condiz com a realidade, porque não traz em seu bojo os sentimentos nobres que a deferiam caracterizar.
Aparentemente parecem mansas e tranquilas, mas se olharmos com cuidado verificaremos que estão maquiadas para esconder toda a imundície que os seus idealizadores criaram para pô-la em ação. É dessa forma que agem, na maioria das vezes, os ditadores e lideres laicos ou religiosos que procuram exercer o comando a qualquer preço, alheios às advertências divinas que nos concita à irmandade e à fraternidade mutua.
A paz que o mundo nos oferece se parece muito com o que foi dito acima, por isso é ilusória, perigosa e funesta.
A verdadeira paz brota sempre de um coração sincero que no desejo de agradar ao seu Criador não mede esforços para demonstrar todo o amor que há dentro de si pelos seus semelhantes.
Ela pode ser demonstrada de várias maneiras: um abraço fraterno, um ombro amigo, uma palavra animadora, um olhar de carinho, um ouvido atento ao clamor e ao desespero do necessitado ou simplesmente um aperto de mão que fala mais que muitas palavras quando é dado com sinceridade e amor.
Os que conseguem adquirir esse sentimento possuem um tesouro inimaginável pelos tiranos e pelos déspotas que olham para seus irmãos como seres insignificantes e inferiores, que foram criados, segundo seus pontos de vista, apenas para servi-los.
A verdadeira paz a que todos ansiamos não traz confusão aos sentidos, porque, não sendo imposta não gera constrangimento naqueles que a recebem.
Essa paz é uma dádiva a que todos os seres humanos têm direito, bastando apenas que a persigam como se perseguissem um valioso tesouro que os levará a lugares de refrigério e descanso; a lugares de comunhão com o Criador de tudo e de todas as coisas que existem no Universo.
Se você nesse momento encontra-se em guerras internas, acreditando que nunca haverá ocasião em sua vida para que essa paz se estabeleça e já desistiu de buscá-la, não esmoreça e lute um pouco mais por ela. Quando você a possuir, verá o quanto valeu a pena todo o esforço despendido e perceberá que ele não foi assim tão difícil, pois bastou olhar de forma diferente para o mundo que o cerca para perceber que a grandeza, a bondade e a misericórdia de D’us encontram-se em todos os cantos e ocasiões, somos nós que não as percebemos, mas elas estão lá, aguardando o momento de serem possuídas.
Procure olhar para o seu irmão com mais compaixão, vendo nele uma oportunidade para revelar o grande amor de D’us por ele. Mostre-lhe que a  verdadeira paz, aquela que vem do Alto é um dom de D’us (Sl 29.11), é abundante (Sl 119.165), é perfeita (Is 26.3) e é imensa, como um rio. Assim nos fala Isaías sobre ela: “Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então, seria a tua paz como um rio, e a tua justiça, como as ondas do mar.” (Is 48.18)
Sendo assim, ore para que ela se instale primeiramente em seu coração e após alcançá-la, não a deixe “trancafiada” em seu interior, mas coloque-a para fora, fazendo com que ela se espalhe por todos à sua volta.
Se assim agirmos, poderemos vê-la espalhada por todo o mundo e poderemos contemplar a diminuição do sofrimento e das aflições de nosso próximo, que não raras vezes ocorrem porque não conseguiram encontrar essa paz que somente o Senhor pode nos conceder.
Essa é a vontade de D’us para as nossas vidas: que estejamos sempre em paz.  Aceitemos o Seu convite e nos alegremos com Ele.


Shalom Aleichem!
                     
(בן  ברוך) Ben Baruch

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Amor ao próximo em uma sociedade competitiva


                                 
 Como é possível compatibilizar o preceito "Ame o próximo como a ti mesmo"(Lv 19.18) dentro de uma sociedade competitiva onde cada um procura sempre se superar frente aos demais?

 As leis da Torá (Pentateuco Mosaico) foram dadas para refinar o ser humano. Se D'us tivesse nos dado leis fáceis de cumprir, não teria nenhuma graça, nem mereceríamos nenhuma recompensa. De fato, a mitsvá (ordenança) de amar o próximo como a si mesmo é muito difícil. Como a Torá pode exigir isto?
Quando me dói o dedinho do pé, sinto isso muito mais do que ler no jornal que um terremoto acabou com a vida de milhares de pessoas! Portanto, no caso desta mitsvá, a palavra chave é "como" – deve se amar o próximo da mesma maneira como se ama a si; i.e., assim como uma pessoa não enxerga normalmente seus próprios erros, e quando já os percebe, vai justificando suas falhas, é desta maneira que devemos agir com o próximo; procurar justificar seus atos e atitudes que nos incomodam e irritam. Esta é a maneira mais elevada de cumprir esta mitsvá.
Como foi dito acima, esta é uma mitsvá difícil e pode se perceber isso pelo dito do Sábio Hilel que disse ao homem que queria conhecer toda a Torá num pé só: "Não faça ao próximo aquilo que não quer que os outros lhe façam." (Esta é a mitsvá de amor ao próximo, expressa de maneira negativa ou proibitiva.)
Depois Hilel ainda acrescentou: "Esta é toda a Torá (i.e.: 'Você acabou de estudar a Torá inteira num pé só; e se quer conhecer os detalhes, agora vá estudar')." Faz-se a pergunta, como Hilel comparou a mitsvá de amor ao próximo à "toda a Torá"? À primeira vista, é apenas metade da Torá, pois a Torá é composta de leis entre a pessoa e D'us e outras leis entre a pessoa e seu semelhante. Enquanto o amor ao próximo pode englobar as leis entre a pessoa e seu semelhante, como pode também incluir as leis entre a pessoa e D'us?
A resposta para esta pergunta é a seguinte: Como mencionado acima, é impossível ter um amor ao próximo igual a si mesmo. Para chegar a isto, para alcançar este nível de sentir pelo próximo e pensar nele igual ao que se sente e pensa sobre si, a pessoa tem que elevar-se de seu nível físico.
Normalmente eu sou eu e ele é ele; como pode ele ser como eu? Somente quando considero o outro um verdadeiro irmão ou parente próximo, posso chegar a pensar e sentir por ele como por mim, pois irmãos são unidos por laços além do físico apenas. É uma ligação inata, natural e inexplicável somente de maneira racional. Quando uma pessoa pode considerar o próximo como um verdadeiro irmão, realmente conseguirá cumprir esta mitsvá.
Mas como é possível considerar seu semelhante, um estranho, come se fosse um irmão? Somente quando a pessoa se eleva além do plano físico e material e considera o próximo um irmão de alma, pois pelas almas somos todos irmãos; somos almas de um só Pai (trata-se da alma Divina). Quem chegou neste nível – de considerar o próximo um verdadeiro irmão – está dando prioridade à alma sobre o corpo, pois de outro jeito nunca sentirá que o próximo é um verdadeiro irmão.
Quando a pessoa chegou neste nível de dar prioridade à alma, isto é verdadeiramente "toda a Torá", como disse Hilel. Somente com esta explicação chassídica da mitsvá de amar o próximo, é possível entender o que Hilel disse. Sem esta interpretação, continuamos com a dúvida original.
Realmente, o mundo está repleto de competição, cada um querendo mostrar que possui mais ou que consegue mais ou que é maior e melhor em termos sociais, financeiros, etc. E é difícil (porém não impossível) viver uma vida correta no meio de tudo isso. Porém nossos Sábios explicaram por que D'us fez as coisas desta maneira. Se não fosse pelo instinto mal (yêtser hará) de querer superar o próximo, ter mais do que o próximo, ser o maior, etc., o mundo não teria ido para a frente. O que impulsiona o desenvolvimento é justamente esta corrida onde cada um quer buscar e atingir mais. E D'us quer um mundo habitável e não um deserto. Por isso Ele criou o ser humano com esta natureza.
Nossos antigos Sábios queriam abolir o "yêtser hará". Assim sendo se reuniram, rezaram a D'us e pediram e com seu poder espiritual e sobrenatural finalmente conseguiram afastar o instinto mal do homem. No dia seguinte ninguém sentiu nenhuma vontade, paixão, inveja, etc. Parecia um mundo perfeito. Mas por outro lado, ninguém estava com vontade de trabalhar, construir, realizar projetos, etc.; até a galinha não quis botar mais ovos. Então os Sábios entenderam que esta não é a maneira certa de fazer as coisas e que realmente D'us tinha razão em fazer o ser humano ter todas as características humanas, inclusive as de cobiçar as coisas do próximo.
Isto (o fato que D'us deu ao ser humano uma natureza com instintos baixos) é em termos gerais. Mas cada um em particular deve se esforçar para viver sua vida dentro dos parâmetros da Torá e direcionar estes instintos naturais para o bem do próximo. Existe muita gente boa nesta multidão que se dedica ao bem estar do próximo, se ocupa com os pobres, os abandonados, os miseráveis, etc.
Nossos Sábios nos aconselharam a olhar para cima, para quem tem mais em termos espirituais e tentar imitá-lo; e olhar para baixo para quem tem menos em termos materiais e ficar feliz e satisfeito com o nosso quinhão. Sempre tem aquele que encontra tempo para estudar, participar de uma aula de Torá, ligar para a mãe mais frequentemente, fazer um favor mesmo não tendo sido solicitado, e assim por diante. Devemos tomar isso como um exemplo e tentar imitar tal comportamento. Isto significa usar a competição de maneira positiva.
Por outro lado em vez de querer mais para si, vejamos quantas pessoas têm muito menos do que nós. A felicidade não depende da quantidade de dinheiro ou tempo que a pessoa tem e sim da maneira como os aplica para uma boa causa.

Chabad

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A capacidade de questionar


             
            Não há palavras suficientes para descrever o mal, não há imagens gráficas, não há uma imaginação suficientemente doentia para descrever aquilo que nossos avós, irmãos e irmãs, filhos e filhas, bebês e crianças ainda não nascidas suportaram nas garras dos seus assassinos.
Seis milhões de judeus foram assassinados por um motivo e um único motivo. Porque eram judeus. Para nossos inimigos, não importava se o judeu era uma pessoa assimilada ou muito religiosa. Um judeu era um judeu.

Nossos inimigos conseguiram arrancar barbas, torcer a pele, empunhar armas, arrancar dentes e gaseificar corpos. Porém não conseguiram penetrar nas mentes, corações, almas e espíritos. A neshamá judaica nunca foi diminuída, apenas enfraquecida.

A cada ano que passa, devemos relembrar o horror, e como o nosso povo morreu. Porém o mais importante, devemos nos lembrar como eles viveram.


Porém o mais notável, talvez miraculoso, é que havia judeus que se apegavam à Torá – o código moral e legal que tem orientado nossa vida desde o Sinai – durante toda a sua provação. Nos guetos, nos campos de concentração, nas marchas rumo à morte, eles continuaram a consultar a Torá em busca de orientação, fazer perguntas aos seus rabinos e líderes espirituais. Do prático ao moral e ao filosófico, as perguntas demonstram a fé que aqueles mártires tinham no seu Criador, e a que ponto desejavam cumprir Sua vontade.

A maioria das perguntas e respostas nunca foi registrada, e sobre o que elas eram, praticamente tudo isso ficou perdido nos escombros e nas cinzas. Felizmente, alguns preciosos volumes sobreviveram, e são um testemunho daquilo que nosso povo tolerou.
[Uma dessas obras é a Responsa do Holocausto, de Rabi Ephraim Oshry.]
Soldados alemães atormentando judeus - Olkusz, sul da Polônia (31 de julho de 1940)

Estes judeus se preocupavam em saber o que deveriam ou não fazer, segundo a Torá. Quando o mundo não fazia mais sentido, eles ainda procuravam certificar-se de que suas ações, palavras e pensamentos eram puros e sagrados. Quando o mundo ignorou D’us e Seus mandamentos, eles determinaram que não o fariam.
Ao ler estas perguntas e respostas, a pessoa fica abalada pela sensibilidade, o carinho e a consideração sobre cada uma. Mas talvez ainda mais notável que as respostas em si seja o próprio fato de que as perguntas nunca foram feitas, e a maneira pela qual estas almas preciosas parecem não ver nada de "heróico" no fato de as estarem fazendo, considerando-se simplesmente judeus vivendo como judeus.

Uma mulher no gueto que tinha acabado de dar à luz queria saber se poderia circuncidar seu bebê antes do oitavo dia, pois ela temia que ele não vivesse sequer uma semana. Esta mãe amorosa desejava assegurar que pelo menos ele morreria como um judeu circuncidado.

As pessoas perguntavam se deveriam ou não recitar bênçãos sobre os alimentos quando a comida não era casher, ou se poderiam recitar as preces matinais antes do nascer do sol, pois esta seria a única hora em que não seriam notadas.

Um homem muito doente foi avisado que estava fraco demais para jejuar em Yom Kipur, e portanto proibido de fazê-lo segundo a Lei da Torá. Ele implorou para saber se mesmo assim poderia abster-se de comer. Embora tivesse sido não observante durante toda a vida, ele queria morrer sabendo que tinha jejuado em seu último Yom Kipur.
Judeus do Gueto de Lublin sendo levados aos trens
para serem deportados para Sobibor, o campo da morte (1942)
Um pai queria saber se poderia salvar seu único filho, selecionado para a morte certa, por meio de suborno, sabendo que caso seu filho fosse salvo, outro morreria em seu lugar.

Uma mãe perguntou se poderia matar seu bebê de maneira indolor, pois no dia seguinte eles viriam pegar todas as crianças, e talvez atirassem sua filha de três meses de um telhado ou então diretamente no fogo.

Havia judeus que perguntavam as frases certas, e depois praticavam cuidadosamente a bênção que é recitada quando alguém está sendo assassinado al kidush Hashem, pela santificação do nome de D’us.

Estas questões não foram respondidas com base em opiniões ou sentimentos pessoais. Estes judeus queriam saber o que a lei da Torá tinha a dizer sobre estes temas, e era obrigação dos rabinos encontrar as respostas. Esta não era a primeira vez que estas perguntas tinham sido feitas ou respondidas. Somos um povo que sabe muito sobre sofrimento e perseguição. E somos um povo que sempre quis fazer aquilo que é certo, o que é sagrado, independentemente das circunstâncias.

A cada ano que passa, devemos relembrar o horror, e como o nosso povo morreu. Porém o mais importante, devemos nos lembrar como eles viveram. E ao fazê-lo, honramos a dignidade, o poder e a fé que estes judeus tiveram. A coragem da fé é muito mais poderosa do que a covardia do ódio.

Nossos inimigos tentaram nos tornar untermenschen – sub-humanos. Tentaram nos aniquilar, livrar o mundo dos judeus. Mas eles não sabiam com quem estavam lidando. Não sabiam o que significa ser judeu. Pois o judeu não é aquele que meramente se esforça para ser humano. O judeu é aquele que se esforça para ser Divino. E isso nunca, nunca, pode ser destruído.

Sara Esther Crispe
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Sara Esther Crispe é escritora, conferencista inspirada e mãe de quatro filhos. Ela e o marido, Eabi Asher Crispe, atualmente são eruditos-residentes no Chabad do Sudoeste da Flórida.
           
           
                                              

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O melhor alimento do mundo.


O MELHOR ALIMENTO DO MUNDO


É comum nos dias de hoje ouvirmos as pessoas falarem acerca da necessidade de se manter uma alimentação saudável. Dizem os especialistas, que ela deve ser balanceada, a fim de conter o máximo de nutrientes possíveis sem que haja a necessidade de ser consumida excessivamente.
Os benefícios dessa dieta alimentar são evidentes e na maioria dos casos inquestionáveis, exceção feita aos exageros a que alguns se entregam no afã de terem o corpo desejado, segundo o estereótipo idealizado pela sociedade atual.
Apesar de todos os benefícios apresentados, muitos não têm o menor interesse em praticá-la, outros ainda, com o decorrer do tempo acabam negligenciando-a e um sem número de adeptos a abandonam completamente, por entendê-la “complicada” demais.
No âmbito espiritual a situação não é muito diferente.
A Palavra de Deus, a Bíblia, deve ser o nosso principal alimento diário. A sua “ingestão” provoca em nós reações inquestionáveis de bem-estar, paz e alegria, pois trata-se do melhor alimento do mundo. No entanto, até mesmo o Povo de Deus em dado momento acabou deixando-o de lado e depois da “desnutrição” aparente, procurou de todas as formas voltar-se a Ele e ser “alimentado” por Sua Palavra.
Um bom exemplo disse pode ser visto no exílio em Babilônia.
Durante muitos anos o povo de Israel ficou cativo em Babilônia, mais precisamente 70 anos, mas através de um decreto do rei Ciro, Esdras e Neemias foram recrutados para regressarem a Israel a fim de reconstruírem os muros da Cidade de Jerusalém e o Templo Sagrado.
Durante a narrativa do capítulo 8 do Livro de Neemias (8.1-18) percebemos que aquelas pessoas tinham um desejo real em ouvir a Palavra de Deus.
No versículo 3 vemos que os ouvidos do povo estavam atentos ao Livro da Lei: E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.”

“... atentos ao Livro da Lei”. Quantos de nós, hoje em dia, temos estado com os ouvidos atentos ao que a Palavra de Deus nos revela?
Certamente poucos.
Vivemos em uma época na qual as transformações sociais e tecnológicas ocorrem com uma velocidade espantosa. Desenvolve-se um determinado equipamento em um dia e no seguinte está praticamente sucateado e com essas mudanças tão rápidas não estamos acostumados a realmente prestar muita atenção aos acontecimentos cotidianos.
Vivemos na época do consumismo por excelência. Buscamos conforto para nossos corpos cansados e para a nossa mente à beira de um estresse profundo; desenvolvemos carros confortáveis, velozes e teoricamente seguros; equipamos nossos policiais com armas cada vez mais potentes e mortais e, apesar de nossos mais sinceros esforços, percebemos que de certa forma as pessoas vivem sedentária e isoladamente e têm cada vez mais necessidade de recorrer a remédios para dormir. Os crimes e a violência aumentam a proporções inacreditáveis no mundo inteiro.
Buscando os motivos que levaram aquele povo a ser escravizado durante tanto tempo podemos perceber que um deles – senão o principal – foi porque seus ouvidos não se preocupavam mais em “estar atentos” ao que Deus lhes falava.
E esse é um comportamento comum ao ser humano: desde a criação, o homem parece disposto a ouvir a tudo e a todos, menos ao seu Criador.
Muitas vezes o motivo de nosso sofrimento está relacionado intimamente ao fato de não darmos ouvidos ao que Deus nos fala.
Provérbio 16.25 diz que: “Há um caminho que ao homem parece perfeito, mas ao fim conduz à morte.”

À medida que o Livro era lido, o povo chorava, porque o que estava sendo relatado não era uma estorinha para crianças dormirem nem um conto folclórico para distrair seus ouvintes, mas a sua própria história daquele povo.
Durante aquela narrativa emocionada e reveladora puderam perceber o quanto Deus os amava e o quanto eles O desprezavam. Puderam perceber o quanto Ele procurava estar com eles e o quanto se afastavam dEle.
Deus levantou um homem, Abraão, para dele fazer uma grande nação que o adorasse e servisse. Deu-lhe poder, riqueza e sabedoria que confundia os seus adversários infinitamente mais numerosos, que não compreendiam como aquele pequeno povo conseguia vencer seus oponentes e se transformava cada vez mais em um Povo forte e temido após cada batalha.
Perceberam durante aquela narrativa o quanto estavam distantes daquele Deus maravilhoso e amoroso que os chamara para transformá-los em uma nação sacerdotal.
Choravam porque percebiam que apesar de tudo que haviam feito Ele ainda estava com eles.
Aqueles homens puderam perceber que o livramento que Deus lhes concedera e as vitórias nas guerras sobre os seus vizinhos era a mais pura demonstração de Seu amor por eles.

Hoje, através dos materiais de estudo disponíveis, podemos contemplar de forma clara, tudo aquilo que aconteceu àquele povo: as suas vitórias e derrotas, as lutas travadas contra seus inimigos e principalmente as lutas travadas contra si mesmos.
Lutar contra os inimigos externos é muito mais fácil do que lutarmos contra nós mesmos.
Contra um inimigo visível, empunhamos as armas e guerreamos. Se formos mais fortes e ágeis conquistaremos a vitória, mas contra nossos sentimentos, vaidades e pecados a coisa é bem diferente e por vezes a luta se torna mais cruenta do que a princípio podia parecer.

Você tem estado com os ouvidos atentos às Palavras que estão contidas na Palavra de Deus?
Aqueles homens perceberam que se tivessem dado ouvidos àquilo que Deus lhes falara, não teriam sofrido tanto, nem passado por tantas humilhações. Se tivessem estado com os ouvidos atentos, como agora estavam, teriam tido uma vida de vitórias e alegrias que somente Deus pode proporcionar.
Diante da comoção geral, Neemias levanta a voz e conforta seus corações para que não chorassem, mas se alegrassem, pois a sua força estava no fato de se alegrarem na presença do seu Deus.
Quando buscamos a Deus com sinceridade podemos perceber a transformação que ocorre no nosso interior:
As lutas parecem menores, os inimigos não são tão fortes assim, as dificuldades não são tão grandes como pensávamos, porque passamos a confiar que Deus está ao nosso lado, lutando por nós, assim como diz Isaías 43.13 “Agindo Eu, quem impedirá?”

Neste episódio narrado por Neemias podemos extrair ensinamentos preciosos para nos alegrarmos no Senhor:

Precisamos estar atentos para ouvir a voz de Deus (verso 3)
E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.”

Hoje em dia ouvem-se muitas vozes, muitas sendo proclamadas em nome de Deus, mas com o tempo percebemos que não condizem com aquilo que realmente Deus disse ao seu povo.
Quando buscamos a Deus em oração, falamos o tempo inteiro e não paramos para ouvir aquilo que Deus tem para nos dizer.
Muitos dizem não saber como é o timbre da voz de Deus, isso não é um problema porque nenhum de nós jamais ouviu materialmente a voz de Deus, mas certamente todos nós podemos ouvi-la através das páginas da Bíblia, que é o Manual de Deus para o ser humano. Ele nos criou e conhece cada parte do nosso corpo e alma e sabe do que necessitamos para termos uma vida plenamente feliz e realizada.
Quando estudamos a Palavra de Deus com amor é como se a voz do próprio Deus penetrasse em nossos ouvidos e descesse até o íntimo de nosso ser, lavando-nos e purificando-nos de todas as incertezas da vida presente.

Devemos ter reverência diante da Palavra de Deus (verso 5)
“Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.”
Muitas pessoas encaram a Palavra de Deus como um livro qualquer que pode ser deixado de lado quando dele não se faz uso.
Certa vez ouvi alguém dizer que a Bíblia quando está fechada é como um livro qualquer, porém adquire poder e vida quando a abrimos e meditamos em seu conteúdo.
Para nós, judeus, todavia, a Palavra de Deus é digna da maior reverência.
Quando nós, judeus, que somos chamados através dos séculos como o Povo do Livro, colocamos a Torá na estante, Ela deve ficar no lugar mais alto e na frente dos outros livros.Ela tem a primazia.
Após estudar a Torá e outros livros, os mestres da Torá e os religiosos, arrumam os livros sobre a mesa, porém a Torá deverá ficar na parte mais alta, sobre todos os demais.
Quando a Torá começa a se desfazer pelo uso e começa a ficar difícil de ser manuseada ela não é jogada no lixo como um “livro qualquer” nem é vendida como papel para ser reciclada, mas é enterrada em um cemitério, com toda a reverência que e a Palavra de Deus merece.

Precisamos conhecer verdadeiramente a Palavra de Deus (verso 8)
“Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia.”
Só existe uma maneira de conhecer verdadeiramente a vontade de Deus: Estudando a Sua Palavra.
“Lâmpada para meus pés é a tua Palavra” diz o Salmista Davi (Salmos 119.105).
Quando conhecemos a Palavra de Deus conseguimos compreender tudo o que acontece à nossa volta, os problemas que enfrentamos, as lutas que travamos e as vitórias que conquistamos.
Aqueles homens ficaram muito tempo afastados dessa Palavra, mas ao primeiro contato já sentiram a necessidade de vivê-La.
O mesmo deve acontecer conosco. Não basta apenas conhecer a Palavra de Deus é necessário vivê-La com toda intensidade.

Devemos nos alegrar na presença de Deus (versos 10-18)-
Agora eles sabiam que Deus estava no controle e que a partir daquele momento cumpririam com alegria a Sua vontade.
Durante a celebração da festa dos Tabernáculos ou Sucot (Cabanas) deixamos o conforto material de nossas casas e construimos cabanas e nelas habitamos por sete dias, para recordarmos que Deus manteve o povo de Israel por 40 anos no deserto, alimentando-o, protegendo-o e fortalecendo-o para conquistarem a tão sonhada terra da promessa.
Por essa razão, quando você estiver diante de um grande problema ou simplesmente estiver se sentido desamparado e perdido, não desanime nem se entregue ao abatimento, acreditando que não há ninguém que se preocupe com você e com a sua situação, busque conhecer e praticar a Palavra de Deus e verá o quanto você é importante para Ele.
Conheça o que Deus tem para aqueles que O buscam e você verá que grandes coisas o Eterno fará através de sua vida.

Querido amigo (a), nunca deixe de se alimentar da Palavra de Deus.
Ela é o melhor alimento que podemos encontrar neste mundo.
Como diz o Salmista: “Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca.” (Salmos 119.103)

Muita paz a todos!

                     

(בן  ברוך) Ben Baruch