sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quatro Motivos Para Ser Feliz



1. Porque é uma boa maneira de fazer as coisas.
Para citar o clássico chassídico Tanya, por Rabino Shneur Zalman de Liadi (1745-1812): “Assim como no caso de duas pessoas lutando, cada qual tentando derrubar a outra, se uma delas se move com letargia, será facilmente derrotada e cairá, mesmo que seja mais forte que o oponente. Assim também, ao lutar contra a má inclinação, pode-se prevalecer contra ela… somente com o entusiasmo que vem do júbilo e de um coração livre e purificado de todo traço de preocupação e tristeza.” Aplica-se à luta, batalhas morais e tudo que está no meio.

2. Porque é uma coisa boa a se fazer.
Por que a alegria deveria ser apenas um instrumento, um meio para um fim? É uma coisa boa por si mesma, uma maneira melhor de ser. E não é tão difícil de conseguir. Concentre-se em todas as boas coisas que você tem e das quais você faz parte, e em como são mais reais e duradouras que aquelas coisas não tão boas. Portanto, mesmo que essas últimas estejam desempenhando um papel importante em sua vida, não fazem parte dela. Empurre-as para fora e coloque em cena os verdadeiros jogadores.

3. Porque é uma ocasião feliz.
Ser feliz às vezes é difícil de conseguir, como no motivo 2 acima. Porém há épocas em que a felicidade está no ar, e tudo que você precisa é abrir-se a ela e permitir que entre em sua alma. Estamos agora numa época dessas. Nossos Sábios nos dizem que: “Quando entra o mês de Adar (Fevereiro/Março), o júbilo aumenta.” Como Haman infelizmente (para ele) descobriu, é um tempo em que acontecem coisas boas para o povo judeu. Não precisamos fazer nada para senti-las – apenas não as mande embora.

4. Porque é isso que você é.
Este na verdade não é um “motivo”, portanto creio que significa que na verdade há três razões, não quatro. Os mestres chassídicos nos dizem que nossa alma é “literalmente uma parte de D’us”. Portanto o júbilo, em última análise, não é uma técnica a dominar, nem uma meta a atingir, nem mesmo um estado ao qual se entregar. É aquilo que somos, em virtude do nosso vínculo com Aquele que “Força e alegria são Seu lugar” (Crônicas 16:27). Por que se esconder daquilo que somos?

Se você não gosta de generalizações, não leia este artigo. O que se segue é uma versão simplificada e resumida da história de vida de um típico ser humano do sexo masculino.

Começamos indomáveis, puxando a correia, querendo lutar contra isso que chamamos de vida. “É este o mundo ao qual vocês me trouxeram?” dizemos aos mais velhos: “Mudaremos isso, mudaremos aquilo, consertaremos algumas coisas, acabaremos com o mal, reviveremos o bem, esperem só para ver!”

Então saímos e durante dez, vinte anos, estamos no auge. Sofremos, labutamos, agonizamos, celebramos nossas vitórias, e gritando de alegria, voltamos à batalha. Mas tudo isso, é claro, termina por arrefecer. Começamos a perceber o quanto nossa vitórias são pequenas, como são superficiais as nossas agonias. “Vá devagar,” começamos a nos dizer cada vez com maior frequência. “Relaxe.”

Aprendemos a saborear os pequenos prazeres da vida. Ei, dizemos a nós mesmos (e às gerações mais novas, mas elas não entendem), a vida é isso aí. Encontre o seu nicho, pague suas contas, fale com as pessoas, escute música, relaxe.

Então durante dez, talvez vinte anos, relaxamos. E então, um dia, percebemos o que está faltando; não estamos mais nos diivertindo! E nos perguntamos: é só isso que há? Se o objetivo é só paz e sossego, então jamais ter nascido teria sido calmo e sossegado também, não é?

O que vem em seguida? Podemos ficar encalhados ali, na rotina de uma crise da meia-idade que se estende até o fim da vida. Ou podemos redescobrir a exuberância da vida – embora num local mais profundo, mais intrínseco que a nossa juventude destruidora de dragões.

Na Torá, estes dois estados do ser estão incorporados em duas personalidades: Nôach (Noé) e Yitschac (Isaac).

Nôach foi um sobrevivente. Num mundo mergulhado na corrupção, ele permeneceu leal. Quando o Dilúvio engolfou a terra, Nôach encontrou abrigo em sua arca, dentro de cujas paredes prevalecia um idílio quase messiânico. O leão habitou sob o mesmo teto que o cordeiro, e a tormenta que rugia lá fora foi mantida afastada.

Na Torá, um nome é tudo: decifre o nome de uma pessoa ou de uma coisa, e terá descoberto sua essência. Nôach em hebraico significa – calma e tranquilidade. Conhece aqueles aposentados felizes? Nôach é um deles.

Isaac – Yitschac em hebraico – significa “risada”. No caso de Yitschac, a conexão com sua história de vida não é imediatamente aparente. Tendo isso em vista, ele não é a figura exuberante que seu nome sugere. Na verdade, ele é quase invisível embora seja dos três Patriarcas o que mais viveu, a Torá não fala muito sobre ele. Há um capítulo contando como seu pai estava preparado para sacrificá-lo, um capítulo sobre como o servo de seu pai escontrou uma esposa para ele, e um capítulo sobre como sua esposa e filho o enganaram. Mas o que Yitschac faz?

Bem, sabemos que ele trabalhava a terra e plantava – o único dos três Patriarcas a fazê-lo (Avraham e Yaacov era pastores). E há uma narrativa detalhada dos poços que ele cavava.

Yitschac nos ensina que, em última análise, o riso da vida vem – paradoxalmente – do trabalho discreto. Se você deseja biografias escritas sobre você, torne-se um guerreiro. Se está procurando tranquilidade, torne-se pastor. Porém se é júbilo que procura, seja fazendeiro e cavador de poços. Arar e semear, quebrar os torrões de terra do seu mundo para persuadir a vida a brotar do seu solo. Cavar, cada vez mais profundo abaixo da superfície de sua existência, para fazer brotarem as fontes de deleite.

A tranquilidade é algo bom, mas não é uma razão para viver. O júbilo vem da conquista: das campanhas para matar dragões na juventude, mas em última análise vem da autoconquista que é a batalha mais feroz e mais silenciosa da vida. Conhece aquelas pessoas calmas, despretensiosas, levando sossegadamente a vida, espumando de alegria interior? Estes são os Yitschacs do mundo.

Há uma palavra multifacetada em hebraico, toledot, que significa “rebento”, “produto”, “realização” e “história de vida”. O Rebe enfatiza que há duas parshiyot (leituras da Torá) que começam com as palavras “Estes são os toledot de…” Há a parashá que começa “Estes são os toledot de Nôach” (Bereshit 6:9), e a parashá que começa “Estes são os toledot de Yitschac” (Bereshit 25:19). A primeira parashá, que relata a história da vida de Nôach, é chamada Nôach. A segunda, que é a única centralizada na personalidade de Yitschac, é chamada simplesmente de Toledot.

Como os nomes são importantes, o que a Torá está nos dizendo?

Que a história da vida de Nôach é a história de Nôach; porém a história de Yitschac é a história da própria vida. Aquele homem pode começar como um bronco imaturo e crescer até ser um Nôach, mas por fim ele deve descobrir seu Yitschac interior.

E quanto à mulher? Com as mulheres a história é a mesma – apenas não demora tanto para elas entenderem.

Yanki Tauber
Chabad

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Oração. Um convite irresistível!



Oração. Um convite irresistível!

Muitas vezes andamos por esse mundo sem saber ao certo o que procuramos.

Para alguns, apesar de a providência divina os abençoar com um lar abastado, onde as provisões materiais são abundantes e todos ao seu redor se mostrem felizes, muitos deles se consideram infelizes, acreditando que algo ainda está faltando e não sabem como explicar o que acontece em seu interior que os leva a se sentirem assim.
Outros, todavia, embora levem uma vida humilde e cercada de dificuldades, que encontram no lar a tranquilidade que causaria inveja a muitos, inexplicavelmente sentem-se infelizes. Muito embora todos à sua volta lhes mostrem o quanto são abençoados por Deus, o fato de não desfrutarem do conforto e das facilidades que a vida moderna propícia leva-os a entender que se tivessem um poder aquisitivo maior poderiam considerar-se plenamente felizes.
Seres humanos... Como somos contraditórios em nossos sentimentos! Se temos muito, reclamamos... Se temos pouco, reclamamos ainda mais.
Não são poucas as pessoas quem, diante das experiências que a vida nos concede, não conseguem, ao deitar em seus leitos, recostar a cabeça no travesseiro e simplesmente descansar das tarefas cotidianas. Suas mentes não param. Buscam forças e respostas em tudo que as cercam e se esquecem de que na maioria das vezes a solução não está fora, mas dentro delas mesmas e que para alcançar a paz que tanto desejam necessitam apenas e tão somente buscar a presença do seu Criador e expor-lhe o que tanto as atormenta.

“E Moisés, tendo saído da presença de Faraó, orou ao SENHOR.” (Ex 10.18)

Moisés, apesar o conforto físico e das facilidades materiais que desfrutou enquanto esteve no palácio de Faraó, vivendo como filho da filha de faraó, passou por extremas dificuldades e necessitou transformar sua vida nos próximos oitenta anos em que viveu entre nós.
Necessitou fugir da presença de seus irmãos Hebreus e refugiar-se por quarenta anos até que foi alcançado pela força do Amor Divino que viu nele um ser humano em quem poderia confiar uma grande tarefa: Libertar o Seu povo das garras de Faraó e transformá-lo em uma nação de reis e sacerdotes que levaria o Seu Nome aos quatro cantos da Terra e assim O fizesse conhecido por todos. Por outros quarenta anos, através da oração e da certeza de que o Eu Sou não o desampararia em tempo algum, transformou não apenas o destino de todos aqueles que o seguiam, mas também o rumo da história de um povo e através dele o de toda a humanidade.
Cremos que o convite que Moisés nos faz para nos sentirmos transformados e abençoados pela presença e provisão Divina é criarmos em nós o hábito de falar com o Senhor; de estabelecer um momento para nos aproximarmos dEle através da oração.
Ele está sempre com os braços abertos esperando a nossa aproximação”: De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.” (Jr 31.3)
Ele nos atrai porque quer estabelecer conosco uma relação não apenas de Criador e criatura, mas acima de tudo de Pai e filho.
O convite é para utilizarmos esse recurso em quaisquer situações de nossa vida, quer estejamos felizes ou não.
Quando a infelicidade ou a dificuldade bater à sua porta e você se sentir impotente e desmotivado, ore ao Eterno pedindo-lhe a proteção e o amparo de que necessita para se fortalecer e seguir adiante honrando o Seu Nome.
Quando injustamente te ferirem com palavras ásperas e ofensivas, refugia-te na oração e peça ao Todo-Poderoso que lhe conceda o amor e a força necessária para superar tão duros momentos que também atingem outros que nos cercam e que tantas vezes, fechados em nós mesmos, nem percebemos.
Quando a perda de um ente querido ou de um grande amigo estiver sufocando a sua alma e as lágrimas derramadas não conseguem produzir a calma e a certeza de que a vida continua e que um dia nos reencontraremos, ore e peça que Ele reconforte seu coração, te dando a certeza de que a vida continua após a morte do corpo físico e que em breve poderás encontrá-los e regozijar-se com eles na presença do nosso Deus.
Quando, apesar do desejo sincero de ajudar aos que mais necessitam, quer seja através de bens materiais, palavras de estimulo ou simplesmente o gesto de oferecer um ombro amigo e ouvidos atentos e solidários, os outros vejam nesse ato uma maneira de condená-lo por sua suposta intromissão, não esmoreça ou interrompa a oportunidade que lhe foi oferecida pelo próprio Criador, mas ore, pedindo a Ele que lhe dê forças para compreender e amor para continuar trabalhando na construção do bem, pois muitas vidas poderão depender desta decisão.
Nossos sábios nos ensinam que “Se uma mitsvá atravessar seu caminho… agarre-a! Talvez o mundo inteiro tenha sido criado exatamente para este momento.”, por essa razão nunca desista de praticar uma ação positiva que auxilie o seu próximo.
Quando as lutas do caminho estiverem te enfraquecendo e te levando ao desespero e ao abandono, não se entregue a esse sentimento, mas resista firmemente e ore ao Senhor, buscando nEle a razão maior de sua existência. Deus nunca desampara os que O buscam.
Quando tudo estiver correndo bem e tudo à sua volta for motivo de alegria, ore e agradeça ao Senhor por tamanhas dádivas, pedindo a Ele sabedoria e humildade para que as bênçãos concedidas não se transformem em pedras de tropeço em sua vida.
Quando os irmãos mais necessitados que compartilhem a sua mesa te honrarem por tudo que fazes, não se engrandeça por isso, mas ora e agradeça ao Senhor pela oportunidade que Ele te concedeu de espalhar o bem sem desejar recompensa.
Não importa se lhe damos o nome de Tefilá, prece, reza ou oração, o que realmente importa é falar com Deus, expondo nossos sentimentos e inquietações mais intimas, nossas dúvidas e incertezas, nosso agradecimento pelo cuidado que tem para conosco, pelas possibilidades que nos concedeu de um dia havê-lo encontrado e ser atendido por Ele.

Aceitemos o convite que Moisés nos faz para orarmos em todos os momentos e situações e perceberemos o quanto isso nos ajudará a entender não apenas a razão de nossa vida, mas nos ensinará ainda, a compreender e a amar ainda mais os nossos semelhantes.

Muita paz a todos!

(בן  ברוך) Ben Baruch

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O infinito amor de Deus


O INFINITO AMOR DE DEUS

Vivemos dias angustiantes, as pessoas se matam como se fossem animais famintos que tentam sobreviver a todo custo.
A violência está por toda parte e parece que a mais recente novidade para a vida do homem é o desejo de ver seu semelhante sofrer, não importa por quais meios. As pessoas se perseguem mutuamente e, para muitos, se os outros não pensarem e agirem como eles, devem ser eliminados.
O pensamento de alguns é: “Pessoas que não têm o mesmo padrão social que nós, estão atrapalhando a nossa ascensão, o nosso sucesso e alguma coisa precisa ser feita para tirá-las de nosso caminho.”
Muitos têm esse pensamento e alguns, mais incisivos em sua perseguição, se acham no direito de até colocar fogo em mendigos, que cometeram o “pecado” de perder tudo: emprego, família, dignidade e agora a própria vida!
Os critérios que usamos para manifestar o nosso senso de justiça é estranho e por que não dizer vergonhoso e injusto muitas vezes.
Quando colocamos no banco dos réus os nossos parentes e amigos, somos tolerantes e benevolentes, mesmo que tenham prejudicado muitas pessoas, e embora sejam vistos pelo restante da sociedade como monstros, para nós são uns amores.
Quando, porém, julgamos aqueles que nos prejudicaram, a nossa atitude muda radicalmente. Se alguém tenta defendê-los, dizemos que eles o estão defendendo porque não estavam na nossa pele.
Olhando para a vida do rei Manassés através deste capítulo 21 do segundo livro dos Reis, podemos perceber o que acontece com um homem que se deixa envolver nas armadilhas do orgulho e da prepotência.
Diz o texto:
“Tinha Manassés doze anos de idade quando começou a reinar e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Hefzibá. Fez ele o que era mau perante o SENHOR, segundo as abominações dos gentios que o SENHOR expulsara de suas possessões, de diante dos filhos de Israel. Pois tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, havia destruído, e levantou altares a Baal, e fez um poste-ídolo como o que fizera Acabe, rei de Israel, e se prostrou diante de todo o exército dos céus, e o serviu. Edificou altares na Casa do SENHOR, da qual o SENHOR tinha dito: Em Jerusalém porei o meu nome. Também edificou altares a todo o exército dos céus nos dois átrios da Casa do SENHOR. E queimou a seu filho como sacrifício, adivinhava pelas nuvens, era agoureiro e tratava com médiuns e feiticeiros; prosseguiu em fazer o que era mau perante o SENHOR, para o provocar à ira. Também pôs a imagem de escultura do poste-ídolo que tinha feito na casa de que o SENHOR dissera a Davi e a Salomão, seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre; e não farei que os pés de Israel andem errantes da terra que dei a seus pais, contanto que tenham cuidado de fazer segundo tudo o que lhes tenho mandado e conforme toda a lei que Moisés, meu servo, lhes ordenou. Eles, porém, não ouviram; e Manassés de tal modo os fez errar, que fizeram pior do que as nações que o SENHOR tinha destruído de diante dos filhos de Israel. Então, o SENHOR falou por intermédio dos profetas, seus servos, dizendo: Visto que Manassés, rei de Judá, cometeu estas abominações, fazendo pior que tudo que fizeram os amorreus antes dele, e também a Judá fez pecar com os ídolos dele, assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eis que hei de trazer tais males sobre Jerusalém e Judá, que todo o que os ouvir, lhe tinirão ambos os ouvidos. Estenderei sobre Jerusalém o cordel de Samaria e o prumo da casa de Acabe; eliminarei Jerusalém, como quem elimina a sujeira de um prato, elimina-a e o emborca. Abandonarei o resto da minha herança, entregá-lo-ei nas mãos de seus inimigos; servirá de presa e despojo para todos os seus inimigos. Porquanto fizeram o que era mau perante mim e me provocaram à ira, desde o dia em que seus pais saíram do Egito até ao dia de hoje. Além disso, Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém de um ao outro extremo, afora o seu pecado, com que fez pecar a Judá, praticando o que era mau perante o SENHOR. Quanto aos mais atos de Manassés, e a tudo quanto fez, e ao seu pecado, que cometeu, porventura, não estão escritos no Livro da História dos Reis de Judá?” (2Reis 21.1-17)
Talvez examinando somente este capítulo nos precipitemos a dizer o velho ditado popular: “Tal pai, tal filho!”.
Porém, se olharmos para a vida de Ezequias, o pai de Manassés, encontraremos o oposto da conduta do filho.
O relato bíblico diz que o rei Ezequias foi tão temente a Deus que não houve antes nem depois dele um rei com tanto temor a Deus em Judá.
Seu nome significa: “Meu deleite está nele”.

Mas apesar das preocupações dos pais em encaminhá-lo segundo a vontade de Deus, o garoto Manassés, resolveu fazer jus ao seu nome que significa: “que faz esquecer”, nome que surgiu quando José disse antes do nascimento de seu filho Manassés “Deus me fez esquecer de todos os meus trabalhos, e de toda a casa de meu pai” (Gn 41.51).
Manassés fez tudo errado. Foi um dos piores reis e não somente de Judá, mas também o pior que os povos vizinhos já tinham visto.
Era um verdadeiro monstro em pele de gente.
Não bastasse a sua maldade, se tornou devoto de deuses estranhos e fez passar o próprio filho pelo fogo, oferecendo-o a Moloque, um deus cananeu que exigia sacrifícios humanos e diz o versículo 16 que Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, tanto que encheu Jerusalém de ponta a ponta com ele.
O que temos presenciado em chacinas nas ruas das grandes cidades e presídios do país é brincadeira perto do que Manassés fez em Judá e região.

Segundo a nossa forma de julgamento, que fim mereceria o rei Manassés?

Para muitos certamente a morte seria pouco para ele.
Para outros, no entanto, deveria sentir na própria pele tudo o que fez os outros sofrerem, mas bem devagar... até não aguentar mais... e por fim deveria morrer, de preferência em uma cadeira elétrica.
Para alguns não bastaria acabar com a vida de Manassés, seria necessário exterminar também toda a sua família. “Devíamos eliminar a “raça” dele da face da terra...”, diriam.
Para felicidade de Manassés o julgamento de Deus não é igual ao nosso.
Será que um homem como ele poderia mudar?  ou “Pau que nasce torto morre torto?
Miquéias 7.18 diz que não há Deus como o nosso Deus que perdoa as transgressões, não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.
O  poder de Deus muda a vida das pessoas
Falou o SENHOR a Manassés e ao seu povo, porém não lhe deram ouvidos. (2 Crônicas 33.10)

Manassés era tão ruim que foi necessário algemá-lo, prendê-lo e levá-lo cativo para a Babilônia.
E foi ali, em meio a dores e tristezas, vendo todo o seu poder humano caindo por terra, que o monstro Manassés busca a Deus e se transforma em um dos grandes exemplos de como o Eterno trabalha na vida do pecador arrependido.
Aquele homem arrogante e prepotente rendeu-se ao Poder Soberano de Deus, e na sua angústia clamou ao Deus e humilhou-se na Sua presença.
A partir da experiência de vida de Manassés o que podemos esperar do infinito amor de Deus?

Deus abomina o pecado, mas ama o pecador

Deus nos ama de uma forma que não podemos expressar com palavras do vocabulário humano.
Manassés foi um homem terrível, mas o Deus lhe concedeu a oportunidade do arrependimento, assim como faz a cada um de nós.
Quantos de nós tem olhado para os “Manassés” de nossos dias com os olhos que Deus olharia?
Na maioria das vezes temos verdadeira aversão até para chegar perto de delinquentes ou de mendigos que perambulam pelas ruas, imaginando que seremos assaltados ou agredidos por eles.
A Palavra de Deus nos ensina que feliz é a nação cujo Deus é o Senhor e o povo que escolheu para a sua herança (Salmos 33.12).
Quando olhamos para o estado de podridão moral a que a nossa sociedade chegou, preferimos fechar os olhos, culpar os governantes e até mesmo os lideres religiosos a irmos, nós mesmos, anunciar o amor de Deus e dar uma oportunidade para que o Ele opere naquelas vidas que estão às margens da sociedade que julgamos correta, civilizada e “humana”.
É certo que o pecado faz separação entre Deus e os homens, pois o Eterno é Santo e espera que também sejamos santos (Lv 20.7), mas o amor de Deus espera sempre que O busquemos com sinceridade para sermos resgatados da nossa incorreta e superficial maneira de viver.

Deus permite que caiamos para aprendermos

A Torá nos ensina que há caminhos que ao homem parecem direitos, mas no fim são caminhos de morte. (Pv 16.25).
Quantos de nós não temos atitudes que aos nossos olhos parecem  corretas e nos conduzem a Deus e por mais que nossos amigos nos digam o contrário permanecemos no nosso erro e não queremos ouvir a ninguém?
Quantos líderes têm enganado o povo em nossos dias, com essa mensagem de prosperidade e de conquista, fazendo com que as pessoas se acheguem a Deus por interesses escusos, como se Ele fosse o “portador” de uma caixa registradora que se abre toda vez que vamos à Sua Presença para pedir-lhe algo?
Manassés era um rei terrível e a Torá nos diz que não havia ninguém tão cruel como ele, e por mais que os profetas o alertassem, ele nunca os atendia. Foi necessário que passasse por inúmeras tribulações para que pudesse aprender a buscar a Deus com sinceridade.
O Desejo de Deus é de que todos nós sejamos felizes e que não tenhamos nenhum tipo de problema, mas quando nos afastamos dEle ficamos sujeitos às armadilhas que o mundo coloca em nosso caminho.
Muitas vezes, Deus permite que caiamos nessas armadilhas para aprendermos com elas.
Assim como temos muitas pessoas onde arrependimento é pura fantasia ou demonstração exterior, temos também, pessoas sinceras, que verdadeiramente se arrependeram de todos os erros que praticaram no passado e tiveram suas vidas transformadas pelo poder de Deus.

Deus não despreza um coração arrependido

Quando Manassés se viu sozinho, prisioneiro em Babilônia, lembrou-se da conduta de seu pai Ezequias e sinceramente se arrependeu e buscou a Deus.
Deus ouviu a sua oração e o fez voltar a Jerusalém. Para demonstrar seu sincero arrependimento, restituiu o altar do Senhor e teve uma conduta diferente até o final de sua vida.
            Quando estivermos incorrendo em erro devemos rever nossa conduta e buscar a Deus com um coração sincero. Se assim o fizermos, Ele nos atenderá.
Davi disse que perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido (Salmo 34.18).
Não importa o estado moral em que nos encontremos, o importante é reconhecer que estamos incorrendo em erro, em pecado, e tenhamos o firme desejo de mudar o nosso comportamento diante de Deus.
Manassés não apenas orou pedindo o livramento de Deus para si e para o povo, mas tomou a atitude do verdadeiro arrependido: mudou radicalmente a sua vida.
Nunca menospreze a possibilidade de Deus trabalhar na vida das pessoas que consideramos ruins e impossíveis de mudanças.
Sempre haverá uma oportunidade para Deus manifestar o Seu infinito amor por nós. Por isso nunca menospreze a oportunidade que Deus te dá de anunciar a acerca do Seu Amor àqueles que vivem, não somente às margens da sociedade, mas principalmente às margens do convívio de Deus.
Que o Eterno nos abençoe e nos dê forças para fazermos a Sua vontade: Fazer conhecido o Seu nome e seu Infinito amor por todos que criou.
Não há barreiras para o amor de Deus.
Muita paz a todos!

(בן  ברוך) Ben Baruch

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Caminhando com Deus


Caminhando com Deus


Vivemos dias em que o avanço tecnológico é tão grande que ficamos espantados com tantas descobertas. As conquistas são tão frequentes e dinâmicas que chegamos ao ponto de ver ultrapassado no dia seguinte algo que nos parecia ser a invenção mais fabulosa no dia anterior.
A televisão e outros veículos da mídia aproximaram os povos e nos possibilita saber o que acontece no outro lado do mundo no exato momento em que os fatos estão ocorrendo. 
Estamos tão acostumados a essas mudanças radicais no nosso cotidiano, que muitas vezes nos sentimos perdidos em certas situações. 
Tanta tecnologia... tanta globalização... tanta informação... tantas opiniões... tantas oportunidades... tanto conforto material...
Diante de tantas opções, poderíamos nos considerar os mais felizes, os mais realizados em todos os sentidos, mas não é isso o que tem ocorrido.
Há 30 ou 40 anos atrás, acreditávamos que o avanço tecnológico poderia melhorar a nossa maneira de viver. Acreditávamos que com o passar do tempo, o conforto material nos proporcionaria mais tempo e tranquilidade para buscar a Deus e ter comunhão com nossas famílias e amigos. 
Hoje, nos deparamos com todas as conquistas almejadas pelo homem, mas ao mesmo tempo, vemos que este homem está perdido em si mesmo. Aquilo que deveria ser uma bênção acabou se tornando praticamente em uma maldição na vida do homem moderno.
Mais tecnologia e conhecimento geraram mais liberdade e esta gerou mais libertinagem e com isso um maior afastamento da presença de Deus na vida de muitos de nós.
Moisés estava aberto às possibilidades de um relacionamento com Deus e demonstrando toda a sua confiança pediu que Ele mostrasse o caminho ou a maneira pela qual poderia encontrar graça diante de “Seus olhos”.
Êxodo 33:13  Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo.
Vemos isso em Êxodo 33:13: “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo.”
A maneira pela qual Moisés expõe o desejo de conhecer o caminho para esse relacionamento ajuda-nos a entender a necessidade que temos de ser firmes em nossas convicções e de que não devemos nos abater, mas insistir nessa busca, na certeza de que agindo assim encontraremos graça diante de Deus.

Muitos de nós, em determinado momento da vida, deseja encontrar o caminho para este relacionamento, mas talvez o nosso maior inimigo nessa busca seja o imediatismo. Infelizmente queremos que as coisas se resolvam como num passe de mágica.
Moisés subiu ao monte Sinai e ficou ali por 40 dias. Sem que o povo soubesse que seu retorno estava próximo, começou a reclamar e a pediram que Aarão, irmão de Moisés, lhes fizesse um deus para que fosse adiante deles, porque “aquele” Moisés, diziam eles, não sabiam o que lhe acontecera.
Quantas vezes tomamos o posicionamento daqueles homens que pressionaram Aarão a fabricar o bezerro de ouro?
Dizemos que temos que viver o presente. Alguns sentenciam:
“Ainda sou muito moço, tenho que aproveitar a vida. Daqui a pouco a vida passou e eu não fiz nada. Quando eu estiver com mais idade vou procurar uma “religião” que me aceite como eu sou e não fique me pressionando para mudar minha maneira de pensar e viver...”.
“Tenho tanto tempo pela frente. Preciso conseguir minha independência financeira. Aí sim poderei pensar em minha vida espiritual...”.
Esse pensamento é um grande erro, pois o nosso futuro depende da maneira como vivermos o presente. Se formos sensatos e vigilantes no presente, certamente poderemos esperar uma vida mais tranquila no futuro. Se, ao contrário, desperdiçarmos o nosso tempo com futilidades, acreditando que poderemos recuperar o “tempo perdido”, maior será a probabilidade de fracassarmos.
Não somos perfeitos e como não existem “super heróis espirituais” também devemos ter paciência em relação a nós mesmos, mas isso, de forma alguma, deve se transformar em comodismo, pois cada um de nós é responsável pelos próprios atos. Certamente, a bondade de Deus nos conduzirá ao arrependimento.  Precisamos suportar as lutas e as dificuldades que esta busca produzirá, mas o livramento que tanto aguardamos e que aos olhos de muitos e, algumas vezes, aos nossos próprios olhos, parece tão distante e impossível, pode ocorrer a qualquer momento. Talvez amanhã ou quem sabe, hoje mesmo. O Salmista Davi disse em Salmos 30:5 “Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã.”   
O amor de Deus aguarda com paciência que nos arrependamos dos maus caminhos pelos quais temos trilhado e que nos apresentemos para iniciarmos a nossa caminhada com Ele. 
Saiba compreender as suas limitações. Não fique pensando que você é um “super herói espiritual” e que está isento de errar. Fomos criados para andar em comunhão com Deus. Todos erramos e necessitamos retomar o caminho que nos conduz a Ele. É importante lembrar que mesmo depois de estarmos trilhando os caminhos que Deus nos mostrou, seremos nós mesmos caminhando num processo de aprendizagem e santificação e isso não se dará de uma hora para a outra.  Não há palavras ou gestos mágicos, mas com perseverança alcançaremos a vitória que tanto almejamos: Descansar à sombra do Onipotente (Sl 91.1).
Haverá a necessidade de nos aproximarmos cada vez mais de Deus através do nosso crescimento espiritual e isso ocorrerá quando passarmos a conhecer mais o que esse Deus que nos criou espera de nós.
Conhecendo a Palavra de Deus teremos entendimento dos Seus planos para a nossa vida e as promessas que Ele tem para cada um de nós.  
Permita que Deus trabalhe nelas para que você possa ser mais útil nas mãos dEle. 
Infelizmente, muitas vezes fazemos da Graça de Deus uma lei para nossas vidas e isso nos impede de olhar para dentro de nós mesmos e entender que somos limitados e imperfeitos. Conheça suas limitações e se entregue nas “mãos” de Deus para que Ele te fortaleça. Seja humilde diante dEle e Ele não apenas te consolará, mas responderá aos anseios mais íntimos do seu coração.  
Que possamos dizer como Moisés: “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos;”
Muita paz!


(בן  ברוך) Ben Baruch

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Como lutamos contra o mal?


            Por décadas, a palavra foi um tabu. Se você a pronunciasse no rádio, eles a cortariam. Somente pregadores fundamentalistas, aguçando o medo do inferno e da danação em seu rebanho, costumavam usar esta palavra em público. Ou talvez um vendedor de perfumes, seduzindo o lado obscuro de seus consumidores.
Porém, hoje está em toda parte.
A palavra é 'mal'. Como disse um comentarista, no dia 11 de setembro o mundo teve um momento de lucidez. Na tela da TV, para que todos vissem, estava o puro mal, indisfarçável, desprezível. O relativismo moral morreu a 1000 graus centígrados.
Mas não é assim tão fácil: agora que temos permissão para usar novamente a palavra, o que isso quer dizer?
É algo real, com substância e poder? Ou não é mais que a ausência da verdade, um vácuo da realidade, trevas, uma negação da luz? Se é real, como pôde D'us permiti-lo em Seu mundo? Mas se é apenas escuridão, como pode a escuridão desafiar a luz?
Nenhuma resposta nos satisfará completamente. O mal está perto demais para que possamos ver claramente; é doloroso demais para ser rotulado. Sentimos que talvez estejamos insensivelmente justificando os horrores que se abateram sobre pessoas de bem. Talvez estejamos racionalizando D'us – e nós mesmos – para amenizar a situação. Por outro lado, sem qualquer compreensão sobre o que seja o mal, como podemos ter esperança de lutar contra ele?
Na Torá, a metáfora para o mal é escuridão. Nada mais que a ausência da verdade. Um vácuo da realidade. Como a escuridão, o Mal não tem poder em si mesmo. De onde, então deriva o poder de causar tanto sofrimento no mundo? Falando de forma generalizada, de nós, de nosso medo dele. De que o consideremos "algo" que vale a pena negociar.
Com cada colherada de preocupação nós o incentivamos, com cada vislumbre de trepidação, cada concessão que fazemos de nossa vida para reconhecer sua ameaça – até que o Mal se eleve despudorado para atacar-nos com nossos próprios instrumentos.
Este tema se repete por toda a Torá. Quando a serpente aproximou-se de Eva, explicam os sábios, ela não estava pronta para dar-lhe atenção. Em seu mundo, a serpente poderia muito bem nem sequer existir. Portanto, a serpente teve de dizer: "É verdade que você não pode comer de nenhuma das árvores no jardim?" É claro que a serpente sabia não ser verdade. Mas desta forma, Eva se apercebeu dela. A serpente tornou-se alguém a quem valia a pena dar uma resposta. E portanto, em condições de provocar confusão.
Assim também Moshê. Moshê começou sua carreira como libertador quando matou um feitor egípcio que estava espancando até a morte um escravo judeu. Quando ele descobriu que seu ato se tornara de conhecimento público, a Torá nos diz que "... Moshê ficou temeroso. E o faraó tentou fazer com que fosse morto. Então ele fugiu..." Primeiro, Moshê estava com medo. Somente então o faraó procurou fazer com que o matassem. Sem o medo de Moshê, o faraó não tinha poder.
Mais uma razão para que 11 de setembro fosse nosso momento de lucidez: porque vimos que isso não era mais uma ideia, mas algo claramente concreto, uma metáfora em ação.
Estas pessoas que desejam nos trazer o terror, será que elas têm seu próprio poder? Têm recursos para alimentar o populacho? Ideias que possam promover o progresso? Os mísseis com que nos atacam, foram desenvolvidos e construídos por eles?
Não. Eles nada têm de seu. Foram habilitados por nós, através das bizarras maquinações da política da Guerra Fria. Eles empunharam lâminas compradas em nossas lojas de ferragens, e com elas sequestraram aviões que projetamos para melhorar nosso padrão de vida. Pulverizaram medo em nosso coração com pó roubado de nossos laboratórios. Poeira. Sabendo muito bem que eles não poderiam infectar uma nação. Mas eles podem nos manter realmente assustados. E para o mal, isso é realmente uma vitória. Porque então, através de nosso medo, o mal se torna real.
Saber disso é imensamente útil. Uma vez que tenhamos encontrado o segredo do mal, sabemos como desmontá-lo. A estratégia é quase idêntica, seja ele o mal que assola o globo ou o que esteja dentro da comunidade, ou que esteja nos recessos de seu próprio coração, esperando para aterrorizá-lo na primeira oportunidade.
Não é uma solução simples, porque já nutrimos o mal a tal ponto que ele floresce e se desenvolve a cada dia. No início, Adão e Eva poderiam simplesmente tê-lo ignorado e ele terminaria por se dissolver nas centelhas da luz Divina que eles revelaram no Jardim. Porém, desde que o Mal foi alimentado e sobrevive por si mesmo, jamais poderá ser enfrentado com tanta facilidade novamente.
Apesar disso, nossa maior arma contra o Mal ainda é nosso desrespeito por ele. Esta era talvez a resposta mais frequente do Rebe àqueles que lhe escreviam pedindo conselho sobre como lidar com o mal na vida cotidiana – fosse ele fúria, tentação, pensamentos perturbadores, sonhos maus... mais e mais, escreve o Rebe: "faça mais o bem e afaste sua mente do assunto." Mesmo em questões de saúde, aconselhou o Rebe, "Ache um bom médico, que ficará preocupado com seus problemas. Então simplesmente siga as instruções e afaste sua mente da doença."
Numa escala global, o Mal não é algo a se temer, muito menos com quem negociar. Isso apenas lhe dá mais poder. Sim, às vezes você não tem outra escolha a não ser lutar contra o Mal – como os Macabeus fizeram contra o opressor greco-sírio. Mas humilhe-se para prevalecer contra o Mal e você apenas se juntará a ele em sua lama. Contra o Mal, você deve marchar para a batalha nas nuvens. Deve passar por cima dele, sem jamais olhar para baixo. Pelo contrário, quando em batalha contra o Mal, você deve elevar-se mais e mais alto.
Eis por que é tão importante, para nós, criar mais luz. Mesmo um pouquinho dissipa grande quantidade de trevas. Para cada sombra de escuridão que vemos, devemos produzir megawatts de luz ofuscante. Assim como aqueles possuídos pelo mal fizeram o que era cruel e irracional, além daquilo que o mais louco vidente poderia ter previsto, assim também devemos praticar a bondade além da razão.
De fato, este é o objetivo do mal; por que um D'us todo bondade projetou o mal para estar em Seu mundo?  Porque o mal nos força a atingir o âmago, a encontrarmos nossa força interior, subindo ainda mais alto, até alcançar uma luz brilhante e forte – uma luz que não deixa espaço para as trevas se esconderem.
Contra aquela luz, o Mal derrete-se em submissão, tendo cumprido seu propósito de ser. Pois, no início a escuridão foi feita com um único intento: fazer brotar a luz interior da alma humana. Uma luz que não conhece fronteiras.
Enfrente o mal com a beleza. Desafie as trevas com a luz infinita.
            Tzvi Freeman