quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um e-mail de Deus.


O trabalho que fazemos constrói o mundo num lar aconchegante

Por muitos anos, perguntei-me como seria receber um e-mail de D'us. A ideia sugerida por seu artigo, de que há um site chamado Portais do Céu fascinou-me, e não saía de minha mente. Se existia esse site, não seria possível que e-mails pudessem ser enviados do céu para a humanidade? Após dias de contemplação e consideração, finalmente decidi tentar a comunicação com esta morada celestial. Tinha a impressão que enviar um e-mail ao Todo Poderoso era menos radical que lampejar mensagens a marcianos verdes e outras criaturas cósmicas, o que sabe-se que muitos adeptos da New Age fazem.
Suponha que você tem uma chance de mandar um e-mail a D'us, o que escreveria? Creia-me, não é uma decisão fácil. Refleti sobre o assunto com extremo cuidado, e finalmente compus a seguinte carta:

Apertei o botão "Enviar", e meu e-mail desapareceu rapidamente no espaço ciber-celestial.
Reconheço que D'us geralmente não responde a comunicações terrenas. Mesmo assim, eu estava empolgado sobre meu e-mail, e acalentei uma leve esperança de que receberia uma resposta. Chequei minhas mensagens várias vezes durante o dia. Quando fui para a cama aquela noite, virei-me de um lado para o outro, com dificuldade para pegar no sono. Finalmente mergulhei num cochilo. No meio da noite, acordei com um salto. Tinha a estranha impressão de que algo tinha acontecido, e corri para o computador. Tenho certeza que você pode avaliar meu entusiasmo ao ver que chegara um e-mail do webmaster de Portais do Céu. Minha mão tremeu enquanto eu tentava firmar o mouse e clicar duas vezes para abrir o e-mail que com toda certeza, mudaria minha vida. Estava totalmente despreparado para o conteúdo da mensagem:

O quê?! Então era esta, a resposta à minha elevada busca espiritual? Teshuvá por causa de um insignificante episódio de lashon hará? Que tremendo desapontamento! Eu tinha imaginado uma tarefa excitante e dramática, tal como: "Escale o Himalaia e salve uma alma perdida que tenha se juntado a um culto oriental", ou "Saia de casa, mude para a Sibéria e abra uma yeshivá para os bisnetos dos judeus que participaram da Revolução Comunista." Apesar de meu extremo desapontamento, não podia ignorar um e-mail de D'us, e teria de seguir esta diretiva Divina sem questioná-la.
No final do e-mail estava um link a meu "Arquivo de dados de Lashon Hará". Cliquei no link e encontrei um registro de todos os episódios de lashon hará durante minha vida. Fiquei atônito ao descobrir que a contagem ia a mais de 50.000, o que representava uma média de cinco indiscrições de lashon hará por dia, pelos últimos 30 anos (tenho 43). Embora eu fosse cuidadoso para nunca violar as leis, lashon hará é, bem, você sabe, uma categoria diferente, por assim falar (nenhum trocadilho aqui). Afinal, todo mundo precisa fofocar um pouquinho. Mesmo assim, fiquei chocado pela absoluta magnitude dos itens em minha vida. Perguntei-me por que os e-mails de D'us ordenavam-me fazer teshuvá por apenas um episódio de lashon hará, quando tantos existiam? Isso me parecia uma boa pergunta, mas a quem eu questionaria sobre a vontade Divina?
Fiz rolar a lista e selecionei ao acaso um incidente de lashon hará.

Eu não me lembrava claramente do episódio, embora tivesse ocorrido há poucas semanas, então cliquei duas vezes e assisti enquanto o Real Player carregava e fornecia um vídeo-retrocesso do acontecimento.
Paulo da Silva era um bom amigo. Embora fosse contador graduado, tinha dificuldade em ganhar seu sustento. Recentemente, contratei Paulo para fazer minha declaração de Imposto de Renda. Quando Paulo enviou-me minha via, fiquei muito aborrecido ao ver que ainda devia R$ 500,00 ao Leão. Fiquei tão furioso, que chamei meu amigo Roberto, que também estava pensando em utilizar os serviços de Paulo. "Paulo fez minha declaração e não me admira que ele não consiga ganhar dinheiro. É um contador dos piores. Aposto que não consegue somar 2+2 sem usar a calculadora."
Em seguida, Roberto partilhou minha avaliação de Paulo com alguns poucos amigos mais chegados, que por sua vez disseram a alguns membros de seu círculo íntimo de amizades, e assim por diante.
Agora, eu precisava arrepender-me e fazer teshuvá por este ato falho. Como eu logo descobriria, porém, isso não era coisa simples. Cliquei no link de ajuda para entender o processo de teshuvá. Eis o que apareceu em minha tela:

Eu agora tinha um problema, pois nenhuma das atitudes delineadas acima pareciam factíveis. Não podia pedir a Paulo que me perdoasse (opção 2) porque ele era um amigo íntimo, e eu não queria que ele soubesse que eu tinha prejudicado sua reputação. Por outro lado, não podia seguir a opção 3 porque não tinha certeza se de fato causara prejuízo financeiro a Paulo. Além disso, mesmo que Paulo ainda não tivesse perdido qualquer cliente, parecia impossível retirar minha declaração, mesmo por que não tinha como determinar o quanto minhas palavras tinham viajado e se espalhado.
Lembrei-me então de que o e-mail de D'us oferecia ajuda com o banco de dados do Portais do Céu. Observei a barra de ferramentas e encontrei uma opção chamada "Checagem do Avanço do Lashon Hará". Um clique neste link abriu uma tela que se assemelhava aos galhos mais finos de uma árvore copada. Perto de cada galho, estavam os nomes das pessoas que tinham ouvido e repetido minha avaliação sobre Paulo. A parte boa era que, até aquele momento, Paulo ainda não perdera qualquer negócio como consequência de meu lashon hará. Como meus comentários ainda estavam frescos, eu tinha uma pequena oportunidade de retirar minhas palavras antes que Paulo realmente perdesse qualquer cliente. A parte má era que a lista de pessoas que ouviram meu lashon hará era muito longa.

Rolei a tela e tracei toda a trilha de minha observação pejorativa. Para meu espanto, apareceu um novo galho enquanto eu estava olhando a tela. Alguém acabara de repetir meus comentários. Meu lashon hará estava vivo, crescendo e expandindo seus tentáculos, como se continuasse a espalhar sua horrível teia de calúnias. Tudo considerado, minha avaliação negativa de Paulo tinha sido repetida até agora 189 vezes.
Agora eu estava num dilema. Como poderia retratar um comentário passado para 189 pessoas? Muitos dos nomes na árvore me eram totalmente desconhecidos, e eu não conseguia me ver fazendo contato com pessoas que não conhecia. Lembrei-me de uma história famosa que escutara quando era criança, sobre um homem chamado Yankel, que gostava de repetir afirmações caluniosas. Conforme foi envelhecendo, percebeu que um dia teria que aparecer perante a corte celestial e prestar contas de seus atos. Finalmente, Yankel procurou o rabino local e perguntou como poderia arrepender-se e ser perdoado por toda a maledicência que espalhara no decorrer dos anos. "Não há problema" - disse o rabino. "Simplesmente pegue um travesseiro grande de penas de ganso e suba no telhado mais alto que houver na cidade. Quando estiver no topo, bata com o travesseiro na chaminé, com toda a força que tiver." Yankel achou o conselho muito estranho, e não conseguia ver de que maneira esta ação expiaria seu crime. Porém, o rabino havia ordenado, e quem era ele para questionar a sabedoria do erudito Rabi. Na verdade, Yankel estava encantado com a prescrição simples do rabino para a expiação. "Jamais percebi como é fácil fazer teshuvá por lashon hará." Yankel pensou consigo mesmo. Agarrou um enorme travesseiro de penas de ganso e escalou rapidamente até o telhado do edifício mais alto da cidade. Com toda sua força, girou o travesseiro duas ou três vezes contra a chaminé. De repente, o travesseiro abriu-se e o vento espalhou penas de ganso por toda a cidade.
Yankel correu de volta ao rabino e reportou-lhe seu sucesso.
"Oh, há mais uma coisa que deve fazer," disse o rabino. "Vá e recupere todas as penas e traga-as a meu escritório." "Isso é impossível," disse Yankel. "Elas viajaram por toda a cidade, e não tenho como recolhê-las."

Enviei meu e-mail às 189 pessoas e respirei aliviado. Estava muito orgulhoso de mim mesmo. Através do milagre da tecnologia moderna, pude corrigir o que Yankel jamais pudera.
Minha alegria durou pouco. Em poucos instantes, comecei a receber e-mails de resposta de meus novos amigos. Eis aqui uma amostra daquilo que escreveram.

Obviamente, eu nada conseguira com meus e-mails. As pessoas já tinham a cabeça feita, e eu não poderia convencê-las do contrário. O dano que eu causara à reputação de Paulo era claramente irreversível. Eu conferia o site regularmente, e em poucos dias Paulo começou realmente a perder negócios como resultado da repetição de minhas declarações.
Parecia que não me restava outra opção. Para cumprir minha missão Divina, eu teria que jogar a toalha e pedir perdão a Paulo. Mas então perguntei-me se esta era uma atitude ética. Paulo sem dúvida ficaria magoado ao saber que eu o apunhalara pelas costas, e manchara sua reputação aos olhos de 189 pessoas. Seria justo adicionar o insulto à injúria e provocar o sofrimento em Paulo para que eu conseguisse minha expiação pessoal?
Decidi ir até a casa de Paulo, ainda incerto sobre o que fazer. Talvez eu pudesse, delicada e diplomaticamente, explicar o que fizera, sem magoar seus sentimentos. Meu plano logo seria alterado.
"Paulo, tenho algo importante para lhe dizer," gaguejei. "Preciso contar-lhe... Isto é, não sei bem como dizer isso... É que, bem, você sabe como às vezes... não, não é isso, sempre fomos bons amigos... deixe-me tentar desta forma..."


Paulo olhou-me com espanto total, e interrompeu minhas frases titubeantes. "Escute, primeiro pense sobre o que quer falar. Estou contente por você ter vindo. Você sabe, equilibrar o orçamento sempre foi difícil para mim. Não sei por que, mas ultimamente as coisas têm piorado, e ficou mais difícil conseguir novos clientes. Estou constrangido, mas preciso de um grande favor. Sinto-me à vontade com você porque sempre foi um amigo leal. Poderia emprestar-me cinco mil pratas por alguns meses?"
"Claro, Paulo, seria um prazer," respondi.
"Quem me dera todos fossem tão bons quanto você," rebateu ele. Senti-me como um verme.
Percebi que o Plano B fora por água abaixo. De jeito algum eu poderia deixar Paulo saber o amigo de duas caras que eu realmente era.
Agora eu estava mesmo encrencado, e não conseguia achar um jeito de cumprir a diretiva de D'us. Jamais imaginei que seria tão difícil corrigir um único incidente de lashon hará.
Infelizmente, a oportunidade para teshuvá apresentou-se algumas semanas depois, sob a mais trágica das circunstâncias. Paulo da Silva estava fazendo cooper quando subitamente teve um grave ataque do coração. Foi levado às pressas para o hospital e morreu dois dias depois. Abria-se agora, para mim, um novo caminho para teshuvá, pois a halachá (lei judaica) permite que alguém peça perdão à uma pessoa falecida na presença de um minyan (dez homens adultos).
Escrevi e enviei este e-mail para dez amigos.

Chegou o domingo, e encaminhei-me ao cemitério. Era um dia frio e escuro, e o clima combinava perfeitamente com meu estado de espírito. Você poderia pensar que é mais fácil desculpar-se com os mortos que com uma pessoa viva, mas não é bem assim. Além do extremo constrangimento de pedir desculpas em um cemitério perante um grupo de dez pessoas, é sinistro ficar em frente a um túmulo e dizer que está arrependido a uma alma que já se foi. Eu jamais teria conseguido manter a fortaleza de passar por esta provação se não fosse o e-mail de D'us, que me empurrava para a frente.
Caminhei até o túmulo de Paulo, cercado por dez homens melancólicos que com certeza desejariam estar em qualquer outro local naquela manhã de domingo. Meus olhos começaram a se encher de lágrimas. Pela primeira vez, durante toda esta penosa experiência, comecei a sentir a intensa dor que havia causado a Paulo com meus comentários impensados. Sem qualquer reflexão, eu tinha pronunciado palavras que trouxeram enorme prejuízo a um bom amigo. Havia me apressado em tirar conclusões sem qualquer fundamento sobre a incompetência de Paulo.
Lembrei-me da época em que um colega fizera isto comigo. Ele procurou meu chefe e criticou meu trabalho com argumentos que achei infundados. Fiquei furioso, e até hoje, não consigo perdoá-lo por completo, por ter prejudicado minha reputação. Senti vergonha por ter feito quase a mesma coisa a Paulo. Como eu era hipócrita! Perguntei-me também se a perda dos rendimentos que Paulo sofrera devido a meus grosseiros comentários adicionaram tensão à sua vida, e por fim contribuíram para seu enfarto e falecimento. Se a pena é mais poderosa que a espada, então as palavras podem matar. Seria eu um assassino?
Silenciosamente, sussurrei palavras que eu sabia serem completamente inadequadas.
"Paulo, estou tão terrivelmente arrependido. Como eu gostaria que isso nunca tivesse acontecido."
Então, engoli em seco e disse em voz alta a fórmula prescrita no Código das Leis:
"Pequei contra o D'us de Israel e contra Paulo da Silva, de abençoada memória, manchando sua reputação como contador profissional". Os dez homens responderam em uníssono:
"Está perdoado, está perdoado, está perdoado."
Os dez homens, que estavam tão pouco à vontade quanto eu, rapidamente trataram de sair do cemitério. Eu também voltei para casa, contente por aquela provação estar finalmente terminada.
A experiência toda dos últimos dias haviam cobrado seu tributo. Em especial, a ida ao cemitério tinha esgotado minha última reserva de energia. Cheguei em casa tão completamente exausto que fui direto para a cama e caí em um profundo estupor.
Finalmente, acordei na manhã seguinte, de certa forma refeito, e fui até a sinagoga. Ao sentar-me para rezar, fiquei atônito ao ver um vulto, que por trás, se parecia com Paulo da Silva.
Isso foi muito desagradável, pois eu tinha a esperança de deixar o episódio todo para trás. Então o homem voltou-se, e fiquei chocado como nunca em minha vida, ao ver que era de fato Paulo da Silva. "Ele não aceitou minhas desculpas e saiu da tumba e levantou-se dos mortos para perseguir-me", pensei horrorizado. Isso era demais para mim, e caí desmaiado bem ali.
Quando finalmente recobrei os sentidos, Paulo e um grupo de amigos estavam de pé ao meu redor.
"Você está bem," perguntaram eles.
"Paulo, por que está aqui?" Eu estava petrificado.
"Por que não deveria estar? Sempre venho aqui para rezar."
"Mas o ataque do coração," comecei a dizer.
"Que ataque do coração?" perguntou ele com incrédula surpresa.
Aos poucos o véu foi se levantando, e a realidade voltou à tona. Tudo tinha sido um sonho. Paulo não morrera. Eu não tinha ido ao cemitério e não havia e-mail algum de D'us. O trauma do sonho tinha sido tão profundo que eu não percebera que estava sonhando, como geralmente ocorre quando se acorda pela manhã.
Finalmente, eu estava de volta a mim mesmo. Terminei de rezar e fui trabalhar. Para minha surpresa, eu estava desapontado pela experiência não ter ocorrido, e por não ter recebido um e-mail de D'us.
Chegando ao trabalho, um colega cumprimentou-me. "Já sabe da última sobre Max?" perguntou ele. Max, um colega nosso, era o rei da gafe, e estava sempre sujeito ao ridículo.
Eu estava para dar minha resposta costumeira: "Não acredito. O que ele fez agora?" quando, de repente, parei de supetão.
Tive visões de penas espalhadas pelo vento, flutuando por toda a cidade. Imaginei-me com uma rede de caçar borboletas na mão, correndo para lá e para cá, agitando freneticamente a rede e deixando escapar as penas. Corri mais rápido, mas tropecei nos túmulos em um cemitério frio e assustador. Em desespero, eu enviava e-mails às penas, 189 no total, mas os e-mails ricocheteavam para mim sem ser abertos, enquanto as penas continuavam a dançar para longe. Então, assisti incrédulo as penas se transformando em flechas pontudas, que se alojavam nos corações dos transeuntes inocentes.
Afastei-me rapidamente do colega, como se ele tivesse a peste ou alguma outra doença incurável. Cinquenta mil vezes já era o suficiente, e eu não iria cair na areia movediça outra vez. Eu não era tolo.
Então tomei uma decisão. Lashon hará, nunca mais. Eu sabia que seria muito difícil manter esta decisão, mas eu estava determinado a cumpri-la.
Naquele instante, compreendi que tinha encontrado a missão espiritual, sem precisar de uma revelação angélica. Não havia necessidade de viajar a locais longínquos e matar dragões fumegantes e forças demoníacas poderosas. O drama do dia-a-dia da vida, com toda sua riqueza e complexidade, oferecia milhões de oportunidades, e era um desafio e tanto.
Caminhei para fora e vi que estava um lindo dia ensolarado. Contemplei o céu claro e azul, e ofereci uma breve prece.
"Mestre do Universo, não recebi Seu e-mail, mas Sua mensagem chegou. Obrigado, D'us!"


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Acalmando as tempestades da vida



   

Acalmando as tempestades da vida

Temos presenciado os rigores com que a natureza tem castigado diversas regiões do planeta.
Em alguns lugares constata-se o excessivo calor e temperaturas altíssimas que têm mudado o comportamento de seus habitantes; em outras, vemos o processo inverso: o frio bate recordes pela sua constância e intensidade, como temos visto nos últimos anos nos EUA e em grande parte da Europa.
O Brasil não ficou inume a essa “revolução climática” que tem devastado regiões inteiras através da intensidade das chuvas ou do frio excessivo que produz geada e grazinos em cidades onde a temperatura média costumava ficar em torno dos 30 graus e tem ocasionado transtorno, dor, sofrimento e desabrigo a milhares de pessoas.
O texto de Jonas 2.1-10 nos diz: “Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao SENHOR, seu Deus, e disse: Na minha angústia, clamei ao SENHOR, e ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz. Pois me lançaste no profundo, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as tuas ondas e as tuas vagas passaram por cima de mim. Então, eu disse: lançado estou de diante dos teus olhos; tornarei, porventura, a ver o teu santo templo? As águas me cercaram até à alma, o abismo me rodeou; e as algas se enrolaram na minha cabeça. Desci até aos fundamentos dos montes, desci até à terra, cujos ferrolhos se correram sobre mim, para sempre; contudo, fizeste subir da sepultura a minha vida, ó SENHOR, meu Deus! Quando, dentro de mim, desfalecia a minha alma, eu me lembrei do SENHOR; e subiu a ti a minha oração, no teu santo templo. Os que se entregam à idolatria vã abandonam aquele que lhes é misericordioso. Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao SENHOR pertence a salvação! Falou, pois, o SENHOR ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra.”

O Texto Sagrado que lemos nos mostra que ao sentirem-se ameaçados pela tempestade que se formara nos céus e provocava consequências cruéis nas águas que cercavam o barco, decidiram lançar sortes para identificarem o “culpado” por tamanha destruição. Esta recaiu sobre Jonas, que sem murmurações, pediu que o lançassem ao mar para que a tempestade acabasse. Eles assim o fizeram. A tempestade e o mar se acalmaram e um grande peixe engoliu a Jonas.
No ventre do peixe, Jonas viu que sua situação era trágica e que a morte se aproximava, clamou ao Único que realmente poderia ajudá-lo naquele momento: recorreu ao Eterno, e Este, de pronto, ordenou ao peixe para que o devolve-se à superfície.
Nesse momento ocorre a Rio+20 e muitos palestrantes se voltam para os problemas e soluções que serão adotadas para se prevenir que catástrofes ambientes geradas no presente causem danos às gerações futuras.
Não é nosso objetivo nesse momento estabelecer se esses fenômenos são ocasionados ou não pelo desrespeito de seus habitantes ou pela indiferença de seus governantes.
Existem tempestades muito mais devastadoras em nosso meio que independem do aquecimento global, ou dos desmatamentos e queimadas feitas à revelia de suas consequências pelos habitantes da Terra, principalmente nas grandes cidades brasileiras que estão mais próximas de nossos olhos e deviam falar mais de perto aos nossos corações.
A tempestade da ingratidão tem arrastado muitos seres humanos ao desespero e à loucura face ao abandono a que estão sujeitos, gerado na maioria das vezes, pelos próprios familiares e não raras vezes pelos próprios filhos que não veem no trato e cuidado que seus progenitores tiveram para com eles durante toda uma vida senão um ato de obrigação por tê-los colocados neste mundo, sem “nem ao menos lhes perguntarem se desejavam ou não nascer em seus lares...” dizem alguns.
As torrentes do ódio têm transformado corações, que poderiam mudar o mundo para melhor, em vidas e mentes assassinas que roubam não apenas os sonhos e a própria vida de alguns, mas que paralisam processos edificantes em muitas vidas que em presenciando tantas crueldades, deixam-se arrastar pelos critérios adotados pela maioria, entendendo que pelo fato de o mundo estar ruim e que a tendência é apenas piorar, preferem a clássica resposta de que não cabe a nós, seres humanos, tentar mudar as coisas, pois por mais que façamos, esse processo destrutivo é irreversível.
Os terremotos da indiferença têm feito com que passemos pela vida sem ao menos olhar para aqueles que tanto necessitam, como se o cuidado com aqueles pobres irmãos pertencesse a qualquer um, menos a nós mesmos.
Você, assim como eu, tem presenciado essas cenas diariamente e não poucas vezes, questiona-se se haverá um meio ou alguém que poderá fazer com que esse processo estanque ou ao menos diminua de intensidade.
Talvez você esteja sentindo na própria pele algumas dessas “tempestades” e “terremotos” no seu dia a dia.
Quem sabe você está sendo vitima de um filho (a) ingrato (a) que não enxerga em você a mãe amorosa e dedicada que você é. Ou talvez o processo seja inverso: o de um filho (a) amoroso (a) que não encontra em seus pais aquilo que se espera deles: amor, compreensão, orientação para uma vida integra e feliz.
Talvez você esteja sentindo-se abandonado por todos: amigos, parentes, companheiros de jornada e quem sabe, ao olhar para o horizonte da sua vida, ele se mostre sombrio e sem perspectivas.
Mesmo que todas essas situações tentem se instalar em sua vida, fazendo com que em seu coração esfrie o amor pelos semelhantes, não se entregue a esses sentimentos destruidores, busque o consolo e a proteção do Eterno e quando a bonança se instalar em sua vida, espalhe amor e compreensão à sua volta e você verá que o mundo tomará um novo brilho, e tudo parecerá renovado e mais cheio de vida, porque estará repleto do amor de Deus estampado em seu semblante e refletido em sua vida.
O Senhor sempre nos ouve e acalma as tempestades causadas pelas nossas dores. Lembre-se disso. Busque-O e seja feliz.
Shalom Aleichem!




(בן  ברוך) Ben Baruch

sábado, 16 de junho de 2012

Alma cansada...por que choras?





Alma querida, sei que há pouco estavas chorando...

Por que choras, alma cansada?
sei que recordando o passado e os amigos distantes
as lembranças fluem como imensas torrentes
e isso a deixa ainda mais angustiada

Contemplas os instantes de alegria e felicidade
que, perdidas no tempo, deixaram profundo sentimento
vislumbras os locais e sentes cada momento
como se fossem únicos, marcados na eternidade

Alma querida... acredite, a felicidade está te esperando!

Não há tristeza ou amargura que não desapareça
basta apenas um recomeço buscar
e tudo, ao equilíbrio irá retornar
trazendo-te de volta a alegria e a esperança

O tempo é de novos objetivos almejar
com novas amizade se entreter
para com elas de coração aberto aprender
e de braços abertos novas vitórias alcançar

Siga em frente sem pestanejar
o mundo à sua frente se descortina e anuncia
um esplendor de beleza ao teu redor se irradia
convidando-te para com o Criador se alegrar

Alma cansada, deposita suas angústias aos pés do Senhor
para que Ele, em Sua misericórdia infinita, pegando-te pela mão
te conduza em segurança e agraciando-te  com a Sua comunhão
te propicie  consolo, conforto, paz, alegria e amor

Alma querida, siga em frente, sejas feliz e continues a todos abençoando!


(בן  ברוך) Ben Baruch

quinta-feira, 14 de junho de 2012

CARTAS À NOVA GERAÇÃO - A SABEDORIA JUDAICA


Em 2009, antes de Yom Kipur (dia do Perdão), o Grão Rabino do Reino Unido, Rabi Sir Jonathan Sacks, escreveu suas reflexões como se fossem 10 cartas de um pai a seus filhos. Para transmití-las à comunidade judaica britânica e do mundo afora, o Grão Rabino publicou-as na forma de um pequeno livro: Cartas à Nova Geração.
Abaixo publicamos a  6ª dessas cartas que tem muito a nos ensinar no que tange a questões éticas e morais nos relacionamentos interpessoais com todos que nos cercam.

A Sabedoria Judaica

Queridos filhos, ainda que a sabedoria seja um bem que não tem custo, é, no entanto, o mais caro de todos, já que costumamos adquiri-la através  de um fracasso, um desapontamento ou sofrimento. Por isso, devemos tentar compartilhar nossa sabedoria com os demais, para que estes não tenham que pagar o preço que pagamos para conquistá-la.

Estas são algumas das lições  que o judaísmo me ensinou sobre a vida e que desejo compartilhar com vocês:

Nunca tentem ser espertos. Tentem, sempre, ser sábios. Respeitem os outros ainda que estes os desrespeitem.

Nunca busquem publicidade pelo que fizerem. Se merecerem, a receberão. Se não a merecerem, serão atacados. De qualquer modo, a bondade não carece de chamar atenção sobre si.

Quando se pratica o bem a outrem, os beneficiários serão sua própria pessoa, sua consciência e seu auto-respeito. A maior dádiva da doação é a oportunidade de poder doar.

Na vida, nunca peguem os atalhos. Não há sucesso sem esforço, nem conquista sem empenho.

Afastem-se dos que procuram honrarias. Sejam respeitosos, mas lembrem que ninguém tem a obrigação de servir de espelho para os que estão apaixonados por si próprios.
Em tudo o que fizerem, não se esqueçam de que D’us tudo vê. Não há como enganá-Lo. Quando tentamos ludibriar os outros, geralmente a única pessoa que conseguimos enganar é a nós mesmos.

Sejam muito, mas muito cautelosos em julgar os outros. Se eles estiverem errados, D’us os julgará. Se formos nós os errados, seremos nós os julgados. Muito maior do que o amor que recebemos é o amor que damos.

Dizia-se de um grande líder religioso que ele era um homem que levava D’us tão a sério que nunca sentiu a necessidade dele próprio se levar a sério. Isso é algo a que vale a pena aspirar.

Usem bem o seu tempo. Nossa vida é curta, muito curta para ser desperdiçada diante da televisão, nos jogos de computador e nos e-mails desnecessários; muito curta para ser desperdiçada com fofocas ou invejando o que é dos outros; muito fugaz para sentimentos como raiva ou indignação; muito curta para perder tempo criticando nosso próximo. “Ensina-nos a contar os nossos dias”, diz o Salmista, “para que tenhamos um coração de sabedoria”. Mas um dia em que fazemos algo de bom a outrem não é um dia desperdiçado.

A vida lhes oferecerá muitos motivos de aborrecimento. As pessoas podem ser negligentes, cruéis, desatenciosas, ofensivas, arrogantes, duras, destrutivas, insensíveis e rudes. O problema é delas, não seu. Seu problema é como reagir a elas. Uma senhora sábia disse, certa vez, que “ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior sem que você o permita”. O mesmo se aplica a outras emoções negativas.

Não reajam. Não respondam. Não se enraiveçam. Mas, se o fizerem, dêem um tempo até que a raiva se dissipe – e só então sigam em frente com a sua vida. Não dêem aos outros a vitória sobre o seu próprio estado emocional. Perdoem – ou, se não conseguirem, ignorem.
Se tentarem e não conseguirem, não se sintam mal. D’us perdoa nossas falhas no momento em que nós as reconhecemos como falhas. Isto nos poupa da autodesilusão de tentar vê-las como “sucessos”.

Nenhuma das pessoas que admiramos teve sucesso sem ter enfrentado muitos fracassos pelo caminho. Grandes poetas escreveram poemas horríveis; grandes artistas pintaram telas indecifráveis; nem todas as sinfonias de Mozart foram obras primas. Se lhes faltar a coragem de falhar, faltar-lhes-á a coragem de vencer.

Sempre busquem a amizade daqueles que são fortes naquilo em que vocês são fracos. Nenhum de nós possui todas as virtudes. Mesmo um homem da estatura de Moshé precisou de um Aaron. O trabalho de uma equipe, uma parceria, a colaboração com os demais que têm dons ou diferentes maneiras de ver as coisas, é sempre mais do que o que um indivíduo pode conseguir sozinho.

Criem momentos de silêncio em sua alma se quiserem ouvir a voz de D’us.

Se algo estiver errado, não culpem os outros. Perguntem, “como posso ajudar para que dê certo?”

Sempre se lembrem de que vocês criam o ambiente que os cerca.
Se quiserem que os outros sorriam, vocês devem sorrir. Se quiserem que os outros dêem, vocês devem dar. Se quiserem que os outros os respeitem, vocês devem mostrar respeito por eles. A maneira como o mundo nos trata é um espelho de como tratamos o mundo.

Sejam pacientes. O mundo, às vezes, é mais lento do que vocês. Esperem até que os alcancem, pois se vocês estiverem no caminho certo, o mundo acabará por alcançá-los.

Nunca estejam com o ouvido tão próximo do solo que não dê para ouvir o que diz alguém de pé.

Jamais se preocupem quando dizem que vocês são por demais idealistas. Apenas os idealistas conseguem mudar o mundo; e será que vocês querem que este mundo permaneça imutável, ao longo de sua vida?

Sejam corretos, honestos e façam sempre aquilo que disserem que irão fazer. Não há, realmente, outra maneira de se levar a vida.

Rabino Chefe, Lorde Jonathan Sacks

sábado, 9 de junho de 2012

Feridas da alma. Quem pode curar?



Feridas da alma. Quem pode curar?

Gosto muito de observar os exemplos de homens e mulheres que ao longo da vida tiveram ou têm experiências transformadoras com Deus. Eles nos mostram muitas vezes que mesmo homens poderosos aos olhos humanos podem trazer dentro de si chagas profundas, que ninguém, a não ser o próprio Deus pode curar.
Em muitos casos, essas enfermidades não são aparentes, não são visíveis a olho nu, mas trazem em si mesmas um histórico de lutas e sofrimentos íntimos que desnudam seus portadores quando se põem em condições de serem tocados pela graça Divina.
Um desses exemplos é a história do General Naamã descrita no Livro de 2Reis 5.1-14.
O texto nos fala acerca de um general chamado Naamã, que fora usado por Deus para dar vitória aos sírios contra o Seu próprio Povo: Israel. Este homem era muito importante em seu país e era o braço direito do rei da Síria.
Não é difícil imaginar o seu dia a dia: As pessoas quando o viam caminhar ou cavalgar em seu vistoso corcel pelas ruas das Cidades ou no interior do Quartel que comandava, olhavam-no e ficavam maravilhadas com seus grandes feitos, suas grandes conquistas militares. Sem sombra de dúvidas, era admirado e bajulado por todos que encontrava pelo caminho. As pessoas queriam ficar perto dele ouvindo suas estratégias de guerra, os relatos sobre suas conquistas e a demonstração de valentia e dedicação ao seu rei. De fato, o grande General Naamã era uma celebridade local.
Todavia, o que ninguém imaginava, exceto os de sua própria casa, era o que havia por baixo de sua gloriosa armadura. Por fora: prestígio, honra e glória humana, mas por dentro: podridão, dor, sofrimento e vergonha.
Quando dominaram Israel, as tropas da Síria levaram com escrava uma menina judia para trabalhar na casa do general Naamã. Essa menina ao presenciar os sofrimentos pelos quais passava seu senhor, falou com a sua esposa acerca de um homem de Deus que havia em Samaria – uma das cidades de Israel – chamado Eliseu e disse-lhe que se o general Naamã fosse falar com ele certamente voltaria curado.
Aquele homem desesperado, que havia buscado a cura de sua enfermidade em tantos lugares sem obter êxito, certamente deve ter pensado: “não me custa nada tentar mais uma vez..., quem sabe poderei ficar livre deste mal que tanto sofrimento me causa.”
Decidido, comunicou ao rei da Síria o seu desejo de conhecer esse profeta e este o enviou juntamente com uma carta ao rei de Israel, dizendo que deveria promover o encontro, pensando que dinheiro e poder pudessem comprar a cura de seu valoroso general.
Quando leu a carta, o rei de Israel ficou apavorado com a situação, pois acreditava que o rei da Síria estava tentando derrubá-lo do poder. Afinal era rei, mas não era Deus. Reis têm até o poder de matar, mas nunca o poder de curar.
O profeta Eliseu ouviu a história e falou ao rei de Israel: “deixe este general vir aqui e ele verá que há profeta em Israel”.
Naamã chegou com sua imensa comitiva. Cheio de arrogância, achando-se o maioral; acreditando que isso impressionaria Eliseu, mas Eliseu não quis nem conversar com o ele. Simplesmente enviou-lhe um bilhete dizendo que fosse banhar-se sete vezes no rio Jordão.
O general ficou louco da vida quando recebeu o recado e disse: “porventura não são Abana e Farfar, rios da Síria muito melhores do que este Jordãozinho?”, e resolveu voltar para casa a fim de esgoelar a pobre menina que o fizera passar por toda aquela humilhação.
Ele achava que para ser curado teria que fazer um monte de coisas, que o profeta deveria fazer uma série de malabarismos ditos espirituais ou falar algumas palavras “mágicas”. Não era possível que só o fato de banhar-se sete vezes naquele rio sujo poderia curá-lo. Isso era ridículo!.. pensou ele.
Seus servos, porém, o aconselharam a fazer o que o profeta lhe dissera. Afinal, não custava nada, eles já estavam lá mesmo. Quem sabe não daria certo?
Rendendo-se diante de tanta insistência, Naamã foi banhar-se conforme lhe havia sido pedido. Agora, movido não mais pelo orgulho ou pelo dinheiro, mas pela fé, começou a banhar-se e, ao final dos sete banhos, foi totalmente purificado e a sua pele, antes leprosa, ficou como a de uma criança.
Queridos amigos, precisamos entender de uma vez por todas que Deus não faz acepção de pessoas. Nunca fez! O Seu desejo é sempre prover as necessidades daqueles que O buscam com sinceridade de coração.
Aos olhos do povo de Israel Naamã era o temível inimigo a ser vencido, mas aos olhos de Deus fora o instrumento usado para colocar Israel nos eixos.
Assim como Naamã, às vezes nos revestimos com a armadura da incredulidade, achando que o nosso mal não tem mais cura, e quando uma porta se abre acreditamos que o dinheiro é quem poderá resolver tudo e assim buscamos em tantos lugares a cura para o nosso mal.
O problema enfrentado por Naamã era a lepra que o corroía por dentro e já estava começando a se manifestar por fora.
E o seu problema neste momento, qual é? Angústia? Solidão? Saudade de um ente querido que se foi e você não pode fazer nada para impedir a sua partida deste mundo?
Talvez seja o fato de você estar andando pela vida simplesmente se arrastando por ela, em altos e baixos, alternando momentos de alegria e tristeza, de vitórias e derrotas, de espiritualidade e mundanismo.
É aquela dor no peito que apesar do cansaço físico não deixa você dormir a noite.
É aquele frio no estomago, misto de medo e ansiedade que você não sabe determinar a origem.
E como não conseguiu dormir direito, o seu dia já começa mal e você vai se arrastando para o trabalho, e o problema parece não ter mais fim.
Por fora uma roupa bonita, o perfume suave e marcante, mas por dentro o coração quebrado, angustiado e esmagado por um sentimento que você não consegue definir. Um buraco na alma que você não consegue preencher.
Você está sentindo-se assim neste momento ou já se sentiu assim alguma vez na sua vida?
Se a sua resposta for afirmativa, gostaria que você cresse que quando confiamos em Deus e nos colocamos em Suas mãos as nossas feridas são curadas, as dificuldades são superadas e as lutas são vencidas.
Somente Ele pode curar a “lepra” dos nossos sentimentos enganosos.
Somente Ele pode fazer estancar esse fluxo de ódio que muitas vezes povoa a nossa mente e corrói a nossa alma.
Somente Ele pode preencher este vazio que existe em nosso peito.
Através dos exemplos contidos na Bíblia, aprendemos que muitas vezes as piores e as mais terríveis enfermidades não são as que contaminam e destroem o corpo físico, mas aquelas que impregnam o nosso interior, a nossa alma e são elas que necessitam ser purificadas e curadas em nossas vidas.
Feridas da alma, frequentemente doem mais que enfermidades físicas, porque produzem efeitos que se prolongam por muitas existências.

Se você se identificou com o que dissemos e deseja curar esta enfermidade, tenha a certeza de que o melhor caminho é apresentá-la sinceramente diante de Deus e pedir-Lhe que a cure o quanto antes. Pode ter a certeza de que antes que você abra seus lábios Ele já estará atendendo o seu pedido. Afinal Ele é o Médico dos Médicos e Seu diagnóstico e remédio são sempre Perfeitos. Feridas da alma necessitam de medicamento imediato, portanto, busque a sua cura o quanto antes.
Muita paz a todos!

(בן  ברוך) Ben Baruch

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Olhares da Alma - Façamos a nossa parte




Olhares da Alma

Hoje o dia amanheceu frio, triste e chuvoso.
Parece que em dias assim ficamos oprimidos, quase deprimidos...
Carregamos um semblante carrancudo, quase rancoroso...
Queremos apenas ficar quietos e a sós com nossos pensamentos...

Às vezes reclamamos e nem queremos da cama levantar,
Mas a necessidade de o alimento diário buscar
Nos estimula e impulsiona a largar o conforto do lar,
E em largas passadas, correr para ao nosso destino chegar.

Durante o trajeto, aquecido pelas roupas quentes e pesadas
Olho pelo vidro do carro e contemplo o movimento das pessoas.
Em meio à correria e ao burburinho das gélidas ruas,
Vislumbro pobres irmãos, abandonados nas frias e acanhadas calçadas.

Nesse instante algo me desperta, alterando meus pensamentos
E posso ouvir a voz da consciência falando ao meu coração,
Ao presenciar aqueles pobres irmãos abandonados, lacrimosos e famintos,
Mostrando que em meus lábios não caberia qualquer reclamação.

Diante daquele quadro escuro, vivido por irmãos tão infelizes,
Pude perceber quantas alegrias tenho recebido do Criador
Sem agradecer-Lhe pelas bênçãos de tão variadas matizes
Recebidas sem mérito, dádivas exclusivas de Seu imenso amor.

Alma querida, olha para dentro de ti mesma em comoção
E busca no íntimo a centelha de compaixão e amor,
Depositadas ali pelas cuidadosas mãos do Amado Criador
Que busca, através do nosso irmão necessitado, chamar a tua atenção.

Lembra-te de que somos peregrinos nesse mundo estabelecido pelo Senhor.
Portanto não olvides as oportunidades de ajudar e servir.
Façamos a nossa parte, para que as gerações do porvir
Possam viver em paz, com igualdade, comunhão e amor.

Hoje o Eterno nos convida a abraçar o nosso irmão.
A olhar com os olhos da alma e dizer o quanto o amamos.
Ajudando-o a suportar as suas duras lutas, com coragem e determinação,
Mostrando-lhe que tudo é possível quando unidos lutamos.





(בן  ברוך) Ben Baruch