quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Perdão, arrependimento e reconciliação.



Tudo o que fizermos até Rosh Hashaná e Iom Kipur pode selar o futuro de cada um de nós.
Os dez dias que medeiam Rosh Hashaná e Iom Kipur são conhecidos como os dez dias de Penitência ou Retorno. Penitência significa que devemos nos sentir
culpados e tentar remediar o mal que tivermos feito. Se formos suficientemente honestos, logo veremos que agimos mal mais de uma vez. Caso tenhamos enganado nosso semelhante, devemos pedir o seu perdão. Se o nosso pecado é não termos cumprido os mandamentos da Torá, devemos pedir perdão a D’us. Não há ninguém que saiba melhor onde pecamos que nós mesmos. É claro que podemos estar pecando sem termos consciência, mas, normalmente, uma pessoa honesta consigo mesma é quem melhor pode dizer se pecou ou não.
Certa manhã, um rabino fez a seguinte pergunta aos duzentos alunos da ieshivá: ”Quem dentre vocês admite que já pecou algum dia e quem entre vocês pode dizer que nunca pecou em nenhum momento de sua vida?”
Muitos dos estudantes levantaram suas mãos para mostrar que nunca haviam pecado e apenas alguns admitiram ter cometido algum pecado. O rabino então convidou todos os que admitiram ter pecado para que fossem à sua casa. Os que afirmaram nunca haverem pecado estavam muito contentes com eles próprios, afinal eles não seriam repreendidos pelo rabino. Os pecadores confessos se reuniram naquela noite e ficaram muito surpresos: uma grande festa havia sido preparada para eles. O rabino recebeu cada um deles com um alegre sorriso e os entreteve a noite inteira.
No dia seguinte, um dos estudantes perguntou ao seu mestre: “Por que merecemos ser tão bem recebidos após termos admitido que erramos e os nossos colegas, que nunca erraram, não foram convidados para esta maravilhosa recepção?”
O rabino respondeu na presença de todos os estudantes: “É claro que nenhuma pessoa poderá jamais afirmar nunca ter errado em algum momento de sua vida, mesmo com a melhor das intenções escorregamos aqui ou ali. A pessoa que afirma nunca ter feito nada de errado ou não é suficientemente honesta para reconhecer seus erros ou não tem suficiente entendimento para reconhecer que está errada. Eis por que eu preparei uma grande festa para os que foram honestos reconhecendo os seus erros em qualquer momento de suas vidas. Por esta razão temos orações nas quais confessamos humildemente os nossos erros e, se formos realmente sinceros, podemos ter a certeza que D’us nos perdoará. O mesmo se aplica em relação ao nosso semelhante. Se sabemos que outra pessoa está triste por nossa causa, com ou sem razão, devemos conversar e chegar a uma reconciliação. Se por outro lado, tivermos feito algo que o deixou muito zangado, devemos ter a coragem de pedir perdão”.
Poucas pessoas não nos perdoariam se demonstramos um arrependimento sincero pelo mal que causamos. Este é o momento onde devemos retificar tudo o que tivermos feito de errado durante o ano que passou. Se o fizermos sincera e honestamente, podemos ter certeza que seremos pessoas melhores e que o ano que ora se inicia será na verdade um ano feliz e abençoado para todos.
Rabino Yehuda Busquila

Nenhum comentário:

Postar um comentário