sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quatro Motivos Para Ser Feliz



1. Porque é uma boa maneira de fazer as coisas.
Para citar o clássico chassídico Tanya, por Rabino Shneur Zalman de Liadi (1745-1812): “Assim como no caso de duas pessoas lutando, cada qual tentando derrubar a outra, se uma delas se move com letargia, será facilmente derrotada e cairá, mesmo que seja mais forte que o oponente. Assim também, ao lutar contra a má inclinação, pode-se prevalecer contra ela… somente com o entusiasmo que vem do júbilo e de um coração livre e purificado de todo traço de preocupação e tristeza.” Aplica-se à luta, batalhas morais e tudo que está no meio.

2. Porque é uma coisa boa a se fazer.
Por que a alegria deveria ser apenas um instrumento, um meio para um fim? É uma coisa boa por si mesma, uma maneira melhor de ser. E não é tão difícil de conseguir. Concentre-se em todas as boas coisas que você tem e das quais você faz parte, e em como são mais reais e duradouras que aquelas coisas não tão boas. Portanto, mesmo que essas últimas estejam desempenhando um papel importante em sua vida, não fazem parte dela. Empurre-as para fora e coloque em cena os verdadeiros jogadores.

3. Porque é uma ocasião feliz.
Ser feliz às vezes é difícil de conseguir, como no motivo 2 acima. Porém há épocas em que a felicidade está no ar, e tudo que você precisa é abrir-se a ela e permitir que entre em sua alma. Estamos agora numa época dessas. Nossos Sábios nos dizem que: “Quando entra o mês de Adar (Fevereiro/Março), o júbilo aumenta.” Como Haman infelizmente (para ele) descobriu, é um tempo em que acontecem coisas boas para o povo judeu. Não precisamos fazer nada para senti-las – apenas não as mande embora.

4. Porque é isso que você é.
Este na verdade não é um “motivo”, portanto creio que significa que na verdade há três razões, não quatro. Os mestres chassídicos nos dizem que nossa alma é “literalmente uma parte de D’us”. Portanto o júbilo, em última análise, não é uma técnica a dominar, nem uma meta a atingir, nem mesmo um estado ao qual se entregar. É aquilo que somos, em virtude do nosso vínculo com Aquele que “Força e alegria são Seu lugar” (Crônicas 16:27). Por que se esconder daquilo que somos?

Se você não gosta de generalizações, não leia este artigo. O que se segue é uma versão simplificada e resumida da história de vida de um típico ser humano do sexo masculino.

Começamos indomáveis, puxando a correia, querendo lutar contra isso que chamamos de vida. “É este o mundo ao qual vocês me trouxeram?” dizemos aos mais velhos: “Mudaremos isso, mudaremos aquilo, consertaremos algumas coisas, acabaremos com o mal, reviveremos o bem, esperem só para ver!”

Então saímos e durante dez, vinte anos, estamos no auge. Sofremos, labutamos, agonizamos, celebramos nossas vitórias, e gritando de alegria, voltamos à batalha. Mas tudo isso, é claro, termina por arrefecer. Começamos a perceber o quanto nossa vitórias são pequenas, como são superficiais as nossas agonias. “Vá devagar,” começamos a nos dizer cada vez com maior frequência. “Relaxe.”

Aprendemos a saborear os pequenos prazeres da vida. Ei, dizemos a nós mesmos (e às gerações mais novas, mas elas não entendem), a vida é isso aí. Encontre o seu nicho, pague suas contas, fale com as pessoas, escute música, relaxe.

Então durante dez, talvez vinte anos, relaxamos. E então, um dia, percebemos o que está faltando; não estamos mais nos diivertindo! E nos perguntamos: é só isso que há? Se o objetivo é só paz e sossego, então jamais ter nascido teria sido calmo e sossegado também, não é?

O que vem em seguida? Podemos ficar encalhados ali, na rotina de uma crise da meia-idade que se estende até o fim da vida. Ou podemos redescobrir a exuberância da vida – embora num local mais profundo, mais intrínseco que a nossa juventude destruidora de dragões.

Na Torá, estes dois estados do ser estão incorporados em duas personalidades: Nôach (Noé) e Yitschac (Isaac).

Nôach foi um sobrevivente. Num mundo mergulhado na corrupção, ele permeneceu leal. Quando o Dilúvio engolfou a terra, Nôach encontrou abrigo em sua arca, dentro de cujas paredes prevalecia um idílio quase messiânico. O leão habitou sob o mesmo teto que o cordeiro, e a tormenta que rugia lá fora foi mantida afastada.

Na Torá, um nome é tudo: decifre o nome de uma pessoa ou de uma coisa, e terá descoberto sua essência. Nôach em hebraico significa – calma e tranquilidade. Conhece aqueles aposentados felizes? Nôach é um deles.

Isaac – Yitschac em hebraico – significa “risada”. No caso de Yitschac, a conexão com sua história de vida não é imediatamente aparente. Tendo isso em vista, ele não é a figura exuberante que seu nome sugere. Na verdade, ele é quase invisível embora seja dos três Patriarcas o que mais viveu, a Torá não fala muito sobre ele. Há um capítulo contando como seu pai estava preparado para sacrificá-lo, um capítulo sobre como o servo de seu pai escontrou uma esposa para ele, e um capítulo sobre como sua esposa e filho o enganaram. Mas o que Yitschac faz?

Bem, sabemos que ele trabalhava a terra e plantava – o único dos três Patriarcas a fazê-lo (Avraham e Yaacov era pastores). E há uma narrativa detalhada dos poços que ele cavava.

Yitschac nos ensina que, em última análise, o riso da vida vem – paradoxalmente – do trabalho discreto. Se você deseja biografias escritas sobre você, torne-se um guerreiro. Se está procurando tranquilidade, torne-se pastor. Porém se é júbilo que procura, seja fazendeiro e cavador de poços. Arar e semear, quebrar os torrões de terra do seu mundo para persuadir a vida a brotar do seu solo. Cavar, cada vez mais profundo abaixo da superfície de sua existência, para fazer brotarem as fontes de deleite.

A tranquilidade é algo bom, mas não é uma razão para viver. O júbilo vem da conquista: das campanhas para matar dragões na juventude, mas em última análise vem da autoconquista que é a batalha mais feroz e mais silenciosa da vida. Conhece aquelas pessoas calmas, despretensiosas, levando sossegadamente a vida, espumando de alegria interior? Estes são os Yitschacs do mundo.

Há uma palavra multifacetada em hebraico, toledot, que significa “rebento”, “produto”, “realização” e “história de vida”. O Rebe enfatiza que há duas parshiyot (leituras da Torá) que começam com as palavras “Estes são os toledot de…” Há a parashá que começa “Estes são os toledot de Nôach” (Bereshit 6:9), e a parashá que começa “Estes são os toledot de Yitschac” (Bereshit 25:19). A primeira parashá, que relata a história da vida de Nôach, é chamada Nôach. A segunda, que é a única centralizada na personalidade de Yitschac, é chamada simplesmente de Toledot.

Como os nomes são importantes, o que a Torá está nos dizendo?

Que a história da vida de Nôach é a história de Nôach; porém a história de Yitschac é a história da própria vida. Aquele homem pode começar como um bronco imaturo e crescer até ser um Nôach, mas por fim ele deve descobrir seu Yitschac interior.

E quanto à mulher? Com as mulheres a história é a mesma – apenas não demora tanto para elas entenderem.

Yanki Tauber
Chabad

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