quarta-feira, 18 de julho de 2012

Intolerância religiosa



Bom dia. E que manhã incomum é esta, porque deve ser a primeira vez na história em que um rabino foi convidado a fazer o Pensamento do Dia por um Arcebispo de Canterbury, o editor convidado de hoje. E há uma história por trás dessa história.

Tudo começou nas noites mais sombrias da História, quando estava ocorrendo o Holocausto. Foi então que o grande Arcebispo de Canterbuty, William Temple, e um grande rabino-chefe, J. H. Hertz, se reuniram para criar o Concílio de Cristãos e Judeus, empenhado a lutar contra o antissemitismo e outras formas de ódio religioso ou racial.

Acho difícil descrever a transformação que ocorreu. Durante quase 2.000 anos judeus e cristãos ficaram divididos por uma barreira de hostilidade e suspeita. Veja só as palavras que isso acrescentou ao vocabulário da Europa: expulsão, inquisição, auto de fé, gueto, pogrom. Quem, conhecendo aquela história, poderia prever que ela seria revertida? E apesar de tudo, foi. Hoje judeus e cristãos podem se encontrar em amizade e respeito, sabendo que, sim, nossas crenças são diferentes, mas ficamos maiores, não ameaçados, por essa diferença. Creio que este é um dos maiores sinais de esperança num mundo ameaçado pela ira e pelo desespero. E agora podemos pegar esta amizade e aumentá-la, para que envolva hindus, sikhs, muçulmanos, budistas e todas as outras fés que formam esta nação, este planeta.

Este ano, 2006, tem sido difícil para a religião. Com muita frequência a face que temos visto no Iraque, Afeganistão, Cashemira, Somália, Sudão, no Oriente Médio e às vezes mais perto de casa, tem sido violenta, de confrontos – lembrando-nos das famosas palavras de Jonathan Swift, que "temos religião suficiente para nos fazer odiar uns aos outros, e não o suficiente para nos fazer amar uns aos outros." Amar uns aos outros além das fronteiras da fé tem sido o grande desafio da vida religiosa.

E atualmente a humanidade está enfrentando seu maior teste desde o Século Dezessete, quando guerras religiosas mancharam a face da Europa. Foi então que nasceu o secularismo – não porque as pessoas deixaram de acreditar em D'us, mas porque pararam de acreditar na capacidade do povo de D'us de viver pacificamente uns com os outros.

Porém judeus e cristãos têm demonstrado que isso pode ser feito; se pode ser feito com uma fronteira, pode ser feito com outras. Podemos realmente escrever um novo capítulo na conturbada história entre as fés, um capítulo que termine em amizade, o maior e mais notável antídoto contra o medo.

Rabino Jonathan Sacks

10 comentários:

  1. Olá amigo, uma pena esse conflito de religiões que fazem parte da história da humanidade e já fez tantas vitimas, com certeza não foram esses os ensinamentos de Jesus, intolerância religiosa certamente não fez parte de suas pregações! Abraçooooss

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    1. Querida Kellen, paz!
      Na verdade a intolerância não fez nem faz parte da pregação de nenhum homem ou mulher que diga servir a D'us.
      O fanatismo é quem comete os deslizes religiosos e os que assim procedem não têm embasamento nos textos Sagrados, apesar de muitos dizerem o contrário. São corações endurecidos que teimam em permanecer no engano que suas convicções e interpretações contraditórias produzem em suas mentes doentias. Mas certamente isso um dia mudará, porque D'us é acima de tudo Amor.
      Abraços e muita paz querida amiga.

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  2. Acho que tudo isto é falta de educação.
    Os pais que ensinam a intolerância com a repressão.
    beijos!

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    1. Querida Janice, paz!
      Realmente a intolerância muitas vezes começa em casa, onde falta o diálogo e a tolerância entre os próprios membros da família. Oremos para que esse quadro se modifique para melhor.
      Muita paz!

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  3. Olá, vim te visitar, e seguir também!
    Beijos!
    http://rgqueen.blogspot.com.br/

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    1. Querida Roberta, paz!
      Foi um prazer tê-la conosco e uma honra tê-la como seguidora de nosso humilde espaço.
      Volte sempre que desejar.
      Beijos e muita paz!

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  4. Brigada por me seguir...Um ótimo fim de semana

    Bjos

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    1. Querida Maruy, paz!
      Obrigado por sua visita, comentário e por tornar-se seguidora. É uma honra tê-la aqui.
      Passamos a seguir seu blog por entender que o conteúdo é muito bom, parabéns.
      Muita paz!

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  5. Todos somos filhos de Deus com o mesmo direito de estar neste universo sem fim. Nascemos, vivemos e morremos! Tudo igual, aparentemente!
    Mas muitos não sabem viver...não sabem estender pontes e unir as mãos. A vida é mais digna na medida em que aceitamos com amor todas as diferenças! Fronteiras? O Amor não as conhece.
    Um abraço
    Graça

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    1. Querida Graça, paz!
      Obrigado por sua visita, comentário e por tornar-se seguidora de nosso humilde espaço. Volte sempre que desejar, será um prazer tê-la conosco.
      Algumas pessoas esquecem esse detalhe: que somos TODOS filhos de D'us e buscando o exclusivismo divino isolam os que não pertencem ao seu grupo. Felizmente o Amor triunfará, apesar das barreiras impostas pelos contrários.
      Muita paz.

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