sábado, 6 de agosto de 2011

Carta Aberta ao Mundo!


Querido Mundo, sei que você está contrariado conosco, aqui em Israel. Na verdade, parece que você está bem zangado, furioso até. (Ultrajado?) De fato, a cada poucos anos você parece ficar aborrecido por nossa causa. Hoje, é a "brutal repressão aos palestinos"; ontem, era o Líbano; antes disso era o bombardeio ao reator nuclear em Bagdá e a Guerra de Yom Kipur e a Campanha do Sinai. Parece que os judeus que triunfam e que, portanto, vivem, incomodam você ainda mais.
Evidentemente, querido mundo, muito antes de existir um Israel, nós - o povo judeu - já o incomodávamos. Contrariamos um povo alemão que elegeu Hitler e incomodamos um povo austríaco que aplaudiu sua entrada em Viena, e abalamos uma porção de nações eslavas - poloneses, eslovacos, lituanos, ucranianos, russos, húngaros e romenos. Incomodamos os cossacos de Chmielnicki, que massacraram dezenas de milhares de nós em 1648-49; perturbamos os cruzados que, em seu caminho para libertarem a Terra Santa, estavam tão contrariados com os judeus que assassinaram incontáveis números de nós.
Durante séculos, incomodamos a Igreja Católica que deu tudo de si para definir nosso relacionamento por meio de inquisições, e perturbamos o inimigo supremo da Igreja, Martinho Lutero que, em sua conclamação para incendiar as sinagogas e os judeus dentro delas, demonstrou um admirável espírito ecumênico cristão. E isso porque ficamos tão aborrecidos por incomodar a você, querido mundo, que decidimos deixá-lo - por assim dizer - e estabelecer um estado judaico. O argumento era que, vivendo em contato próximo com você, como estrangeiro-residentes nos vários países que o compõem, nós o incomodamos, irritamos e perturbamos. Que melhor idéia, então, que deixar você e assim amar você - e fazer com que você nos ame? Portanto, decidimos voltar para casa - para o mesmo país de origem do qual fomos expulsos há 1900 anos por um romano que, aparentemente, também incomodamos.
Infelizmente, querido mundo, parece que você é difícil de agradar. Tendo deixado você e seus pogroms e inquisições, cruzadas e holocaustos, tendo nos afastado do mundo em geral para vivermos em paz no nosso pequeno estado, continuamos a incomodá-lo. Você está aborrecido porque reprimimos os pobres palestinos. Está profundamente irado pelo fato de que não abrimos mão dos territórios de 1967, que obviamente são o obstáculo à paz no Oriente Médio. Moscou está aborrecida, e Washington está triste. Os árabes "radicais" estão perturbados, e os gentis e moderados egípcios estão aborrecidos.
Bem, querido mundo, analise a reação de um judeu comum de Israel. Em 1920, 1921 e 1929, não havia territórios de 1967 para impedirem a paz entre judeus e árabes. Na verdade, não havia nenhum Estado Judeu para incomodar ninguém. Apesar disso, os mesmos palestinos oprimidos e reprimidos esquartejaram dezenas de judeus em Jerusalém, Jaffa, Safed e Hebron.
Na verdade, 67 judeus foram massacrados num único dia, em 1929, em Hebron. Querido mundo, por que os árabes - os palestinos - massacraram 67 judeus num único dia em 1929? Poderia ter sido por causa da fúria deles pela agressão israelense em 1967? E porque 510 judeus, homens, mulheres e crianças, foram assassinados nas rebeliões árabes entre 1936-39? Foi porque os árabes estavam abalados por causa de 1967?
E quando você, mundo, propôs em 1947 nas Nações Unidas um Plano de Divisão que teria criado um "Estado Palestino" ao longo de um minúsculo Israel e os árabes gritaram "Não" e foram à guerra e mataram 6.000 judeus - este "incômodo" foi causado pela agressão de 1967? E, por falar nisso, querido mundo, por que na época não ouvimos seu grito de "aborrecimento"?
Os pobres palestinos que hoje matam judeus com explosivos e bombas incendiárias e pedras são parte do mesmo povo que - quando tinham todos os territórios que agora exigem lhes seja dado para seu estado - tentaram impelir o estado judeu para dentro do mar. As mesmas faces retorcidas, o mesmo ódio, o mesmo grito de "itbach-al-yahud" (Massacrem os judeus!) que vemos e ouvimos atualmente, eram vistos e ouvidos naquela época. O mesmo povo, o mesmo sonho - destrua Israel. O que eles não conseguiram fazer no passado, sonham fazer no presente, mas não devemos "reprimi-los."
Querido mundo, você assistiu de camarote durante o Holocausto e assistiu de camarote em 1948, quando sete estados deflagraram uma guerra que a Liga Árabe orgulhosamente comparou aos massacres mongóis. Você assistiu de camarote em 1967 enquanto Nasser, barbaramente aclamado por uma turba selvagem em todas as capitais árabes do mundo, jurou atirar os judeus ao mar. E você assistiria de camarote amanhã se Israel estivesse enfrentando a extinção.
E, como sabemos que os árabes-palestinos sonham todos os dias com essa extinção, faremos todo o possível para permanecermos vivos em nosso próprio país. Se isso o aborrece, querido mundo, bem - pense sobre quantas vezes no passado você nos aborreceu. Em cada evento, querido mundo, se você é incomodado por nós, eis aqui um judeu em Israel que não dá a mínima.
Ariel Ben Attar
Israel

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